NUVEM VERMELHA: HISTÓRIA (tradução)

Nuvem Vermelha

1822-1909

Nuvem Vermelha é o nome inglês de Makhpiyaluta (Red Cloud), que também pode ser pronunciado como Mahpiua-Luta. Nuvem Vermelha foi o chefe Oglala Lakota (Sioux), que, mais do que qualquer outro chefe Lakota, está associado à transição dos índios como guerreiros nômades das  planícies para os povos subjugados.

Como  um líder político combativo e feroz, Nuvem Vermelha lutou bravamente, mas sem sucesso, para salvar seu povo e a pátria indígena da invasão do homem branco (militares dos Estados Unidos). Ele liderou a guerra dos nativos americanos contra o estabelecimento da Trilha Bozeman (ver Obs.1). No campo de batalha, sua liderança teve vários êxitos na resistência contra o governo dos EUA e cavalaria do Exército, o que o marcou como um dos mais importantes líderes Lakota do século 19.

Nascimento e infância

Nuvem Vermelha nasceu em 1822, nas margens do largo e caudaloso Rio Platte  perto o que hoje é North Platte, Nebraska. A mãe do Nuvem Vermelha foi um membro da tribo Sioux Oglala, e seu pai, que morreu em sua juventude, era um membro da Sioux Brulé. Nuvem Vermelha foi criado na casa de seu tio materno, Chefe Fumaça.

Embora a história de sua juventude seja desconhecida, Nuvem Vermelha, provavelmente, cresceu no tradicional ambiente amoroso que cercava as crianças Sioux. Durante seus anos de formação, a tribo passou muito tempo lutando em guerras territoriais contra as tribos vizinhas Pawnee, Crow, Ute, e tribos Shoshone. Nuvem Vermelha esteve em inúmeras lutas, quando jovem, o que o ensinou a ser um lutador habilidoso. Nuvem Vermelha também possuía uma habilidade importante que era contar histórias de maneira viva e convincente.

Início de carreira

Grande parte da juventude de Nuvem Vermelha foi dispendida em guerras, principalmente contra as tribos vizinhas –  Pawnee e Crow e, em outras vezes, contra Oglalas. Nuvem Vermelha provou que sua força de cura era poderosa quando sobreviveu, aos 16 anos, a uma flechada quase fatal em suas costelas. Ele contou mais de 80 atos de bravura e conseguiu unir em torno de si 4.000 guerreiros de várias tribos para lutar contra os homens brancos. Em 1841, Nuvem Vermelha matou um dos principais rivais de seu tio.  O assassinato causou separação entre os Oglalas, que persistiu por muitos anos. Ele ganhou destaque enorme no seio da nação Lakota por sua liderança nas guerras territoriais contra o Pawnees, Crows, Utes e Shoshones.

O jovem Nuvem Vermelha desenvolveu uma reputação de bravura e crueldade. Seu prestígio entre os Sioux Oglalas aumentou, ganhando a reputação de guerreiro feroz e destemido contra os inimigos de seu povo, especialmente em guerras contra os Pawnees.

A Trilha Bozeman, fortes, e ouro

Quando os homens brancos descobriram ouro em Montana, no início de 1860, eles começaram a construir uma estrada, a Trilha Bozeman, que corria através do coração do território Lakota, de Fort Laramie (atual Wyoming), para os campos de ouro. Eles também construíram uma série de fortes para proteger a estrada.

O primeiro destacamento de tropas enviadas para começar o trabalho de construção foi interceptado por Nuvem Vermelha com o apoio dos Oglala Lakotas e Cheyennes, que os aprisionou por mais de duas semanas. Isso impediu que os soldados se movessem por muitos dias, até que foram liberados para partir, quando o Chefe se deu conta de que poderiam ser massacrados por seus jovens homens se ele não os liberasse. No outono de 1865, negociadores vieram conversar com os Oglalas sobre a permissão para construir a estrada, mas Nuvem Vermelha proibiu as negociações e se recusou atender o conselho formado para este fim.

Casamento e carreira posterior

Nuvem Vermelha teve apenas uma mulher durante sua vida, seu nome era Pretty Owl. O casamento deles durou mais de meio século.

Por volta de 1860, Nuvem Vermelha era um guerreiro Oglala líder e havia sido reconhecido pelos brancos como um Chefe. No início de 1865, Nuvem Vermelha levou os Oglalas e os Cheyennes a uma guerra contra os intrusos brancos na Trilha Bozeman. Ele lançou uma série de ataques a fortes. Nuvem Vermelha vira o exército tirar os Lakotas do leste de suas terras em Minnesota nas batalhas sangrentas de 1862 e 1863.

Nuvem Vermelha não desejando que seu povo sofresse por ser expulso de suas terras, ele liderou uma série de ataques contra os fortes ao longo da trilha – que foi a bem mais sucedida ofensiva já realizada por uma nação indígena.

O principal feito militar  de Nuvem Vermelha foi levar os Estados Unidos a abandonar a Trilha Bozeman entre o norte do rio Platte e os campos de ouro de Montana. Em junho de 1865, na sequência de uma fracassada campanha do Exército dos EUA em trazer uma paz duradoura à força, a política indígena do Governo dos EUA mudou de pacificação militar para uma política de negociação.

Em junho de 1866, uma conferência de paz foi realizada com líderes como William T. Sherman, grandes chefes como chefe Dull Knife, chefe Spotted Tail, e Nuvem Vermelha, para negociar o que foi o primeiro tratado de Fort Laramie, que nunca foi assinado. Nuvem Vermelha repetiu a sua recusa de pôr em perigo os prados de caça do seu povo. O chefe, irritado, deixou o conselho, e os índios impediram virtualmente todas as viagens de civis pela estrada. Os fortes – Reno, Phil Kearny, e C.F. Smith – que o exército tinha estabelecido para proteger os viajantes não podiam nem mesmo proteger suas próprias guarnições.

Em 1866, Nuvem Vermelha viu o exército construir fortes ao longo da Trilha Bozeman em direção a região do ouro de Montana. Mineradores e posseiros vieram, primeiro em pequenos grupos e depois em um grande número de trens que deixaram sulcos profundos na terra. Nuvem Vermelha liderou a oposição de sua tribo, que resistiu, na crença de que o fluxo de viagens ao longo da trilha destruiria o restante das melhores áreas de caça de búfalo.

Em 21 de dezembro de 1866, Nuvem Vermelha preparou uma emboscada. Ele enganou um oficial cavalaria de nome Fetterman, que foi enviado a partir de Fort Phil Kearny para proteger um grupo enviado para recolher madeira. Ele selecionou 10 guerreiros, entre eles, Crazy Horse, então com 19 anos, como isca. O grupo de 10 guerreiros atacou os lenhadores para atrair os soldados. Fetterman levou cerca de 80 homens para lutar contra os 10 guerreiros. Cerca de 2000 guerreiros, em seguida, atacaram seu flanco. O regimento foi derrotado. Nenhum um soldado sobreviveu. A batalha de Fetterman dramatizava o fracasso da política indígena do Exército e deu novo ímpeto para negociações de paz com os Sioux – particularmente com Nuvem Vermelha. Nuvem Vermelha, no entanto, recusou-se a negociar até que o exército abandonasse os fortes ao longo da Trilha Bozeman.

A estratégia de Nuvem Vermelha foi tão bem sucedida que, por volta de 1868, o governo dos EUA concordou em redigir o Tratado de Fort Laramie de 1868. As notáveis disposições do documento determinaram que o exército abandonasse suas fortalezas ao longo da Trilha Bozeman e garantisse a posse Lakota do que é hoje a metade ocidental da Dakota do Sul, incluindo Black Hills, juntamente com grande parte de Montana e Wyoming.

O exército abandonou os fortes, em agosto de 1868, mas Nuvem Vermelha não chegou a Fort Laramie para discutir a paz a não ser muito mais tarde. Assinando, finalmente, o tratado em 6 de novembro, Nuvem Vermelha aceitou o status conquistado para todos os do seu povo, em troca de presentes, e a promessa de benefícios. Ele concordou em abandonar as trincheiras e realocar o seu povo em uma grande reserva ao norte do estado de Nebraska e ao oeste do rio Missouri. O tratado de 1868 foi um documento longo e complicado que os índios tiveram dificuldade de entender. A paz, é claro, não durou muito.

Uma paz frágil

Nuvem Vermelha manteve a paz que tinha feito em Fort Laramie, em 1868. Ele tentou obter o máximo de concessões possível. Nuvem Vermelha vivia em paz com os brancos, embora mais tarde ele tenha sido acusado de duplicidade, incentivando hostis nativos americanos. Alguns o admiravam e o consideravam uma celebridade, mas era um espinho na carne para aqueles que estavam tentando levar efeito a politica de paz do governo.

A expedição Black Hills de 1874 de George A. Custer ‘s de novo trouxe a guerra para as planícies do norte, uma guerra que significaria a subjugação eventual de nações indígenas independentes. Nuvem Vermelha não aderiu aos chefes Crazy Horse, Touro Sentado e aos líderes na batalha Lakota de 1876-77. Ele se opôs ao movimento de garimpeiros e colonos para Black Hills, por exemplo, mas ele não participou na batalha de Little Big Horn. Ele incentivou hostis, e seu filho Jack estava na Batalha de Little Big Horn.

Nuvem Vermelha também tinha alguma influência com Crazy Horse. Foi Nuvem Vermelha que o governo usou em 1877 para persuadir o prestigiado chefe de guerra a se render, e vir até o  Fort Robinson, aceitando o status de derrotado.

Como recompensa, General Crook permitiu a Nuvem Vermelha retomar sua liderança dos Oglalas. Foi um sucesso triste para Nuvem Vermelha, pois não só Crazy Horse foi morto enquanto estava sob custódia do Exército, mas Nuvem Vermelha testemunharia, sem poder ajudar, a lenta destruição do modo de vida do seu povo pelos próximos 30 anos.

Finalmente, em 1878, Nuvem Vermelha concordou em mudar o seu povo para a reserva de Pine Ridge, no oeste da Dakota do Sul.

Na década de 1880, Nuvem Vermelha travou uma batalha política com o agente indígena de Pine Ridge , Valentine McGillycuddy, sobre uma adequada distribuição de alimentos e suprimentos do governo, que nunca chegava às tipis e à barriga do seu povo. No fim, ele forçou a demissão do McGillycuddy.

Últimos dias

Nuvem Vermelha foi removido como chefe de guerra, em 1881, e viveu aposentado na reserva de Pine Ridge, em Dakota do Sul.

Em 1890, o velho chefe desencorajou a participação na Ghost Dance (ver obs.2), tentando evitar os problemas que levaram ao massacre de Wounded Knee.

Na medida que os anos passavam, Nuvem Vermelha passou por dificuldades crescentes com os membros da tribo que queriam retomar o caminho da guerra. Eles achavam que ele não era mais um líder eficaz. Ao mesmo tempo, havia aqueles que achavam que ele era um obstáculo que impedia o progresso de seu povo na direção do caminho do homem branco. Ele lutou sem sucesso contra a Lei Dawes de 1887, e que transformou reservas em setores individuais.

Até sua morte em 1909 com 87 anos, Nuvem Vermelha continuou fazendo lobby na reserva Pine Ridge no sentido de manter o controle da tribo sobre suas terras e nas mãos dos chefes. Ele foi uma figura central no conflito entre o exército  e o Departamento de Interior sobre quem deveria ter autoridade sobre os índios das planícies.

Obs. 1 – A Trilha Bozeman é como ficou conhecida, na História dos Estados Unidos da América, a rota ou caminho terrestre que conecta a Trilha do Oregon até os campos auríferos de Montana. As viagens de pioneiros e colonizadores brancos pela trilha causaram vários conflitos com os índios, agravados pelas constantes intervenções militares do exército estadunidense. (Wikipedia).

Obs. 2 – Ghost Dance (ou Round Dance – Dança dos Espíritos) foi uma manifestação dos nativos norte-americanos expressando medo, raiva e esperança, em relação ao ataque dos invasores brancos, à brutalização do Exército e à opressão das leis norte-americanas contra as nações indígenas.

 – x –

Esta é uma tradução livre do texto indicado em outra página do blog, com o título NUVEM VERMELHA: HISTÓRIA. Após ler, seria importante assistir o vídeo cujo link está abaixo. Trata-se da iniciativa de um fotógrafo de registrar a pobreza na Reserva Indígena de Pine Ridge, hoje. Na apresentação que ele faz dos slides de suas fotos, ele registra a história de dizimação dos índios, habitantes nativos do território norte-americano, e de sua resistência ignorada.

Depois desta leitura e do vídeo, será mais fácil compreender a relevância das palestras que constituem os posts deste blog, onde estes povos continuam a nos doar sua sabedoria, com amor e persistência.

http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/aaron_huey.html

7 Respostas to “NUVEM VERMELHA: HISTÓRIA (tradução)”

  1. Alfredo lopes Filho Says:

    Nos o saudamos Nuvem Vermelha pela missão de bravura, amor, união e a busca constante pela paz entre o seu povo

  2. Olá
    Eu li no facebook um dia desses o seguinte trecho:

    “sentar-me ou deitar-me na terra significa pensar mais profundamente e sentir mais intensamente, contemplar mais claramente os mistérios da vida, sinto assim as forças vivas que me envolvem.

    A relação que mantenho com todas as criaturas da terra do céu e da água, é um princípio real e activo, é muito estreita a familiaridade com os seres
    de penas ou pele: como se fossemos irmãos, falamos a mesma linguagem e eles retribuem com confiança.

    (…) aceito o parentesco com todas as criaturas e reconhecendo a unidade das coisas no universo instalo no meu ser a verdadeira essência da civilização:
    – estamos todos ligados, eu e a terra somos um só.”

    Oglala Lakota, “my people from Sioux”

    Foi por causa desse texto que eu procurei saber mais sobre Sioux. Não fazia a mínima idéia que era uma tribo.
    O que eu queria saber é se a autoria desse texto realmente de algum Oglala Lakota (de quem é? E se este livro realmente existe?)
    Parabens pelo site

    • Helen Ians Says:

      Matheus
      Dizem as críticas norte-americanas que My People the Sioux é um dos relatos “mais envolventes e verídicos que existem”. Foi considerado um marco na literatura norte-americana, ligada aos índios, e o primeiro livro sobre índios escrito do ponto de vista de um índio. Luther Standing Bear nasceu em 1860 e era filho de um chefe Lakota, tendo testemunhado vários eventos de sua época, que se tornaram referências – como Ghost Dance, na reserva Pine Ridge. Seus últimos anos foram dedicados aos movimentos pelos direitos dos índios. Obs. Lembre-se que Nuvem Vermelha morreu em 1909 e participou de todo este momento, também. Luther foi autor de vinte livros.

      Agradecemos ter pesquisado e lido este blog que relata palestras proferidas por entidades, em boa parte, ligadas aos índios.

  3. Kent Nerburn (Author of Neither Wolf nor Dog) – esse autor escreve sobre índios norte-americanos. Há outros índios com citações maravilhosas: touro sentado, cavalo louco etc faça uma busca.

    • Helen Ians Says:

      Bon Amigo agradecemos sua entrada no blog e seu comentário. O livro citado na barra direita do blog – Enterrem meu coração na curva do rio – trazem boa parte da história dos índios norte-americanos e cita alguns dos índios que você referiu. Abraço!

  4. luiz carlos nascarella Says:

    SALVE! Nuvem Vermelha! em espirito ainda continua um benfeitor da humanidade.

  5. wenderson Sartori Says:

    Estudo há quatro anos sobre as Nações Sioux. Sem dúvida, Nuvem Vermelha foi o maior chefe indígena americano da história, ao lado do chefe Sitting Bull.

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