Archive for the Esperança Category

Sintonia a partir de si, com algo maior.

Posted in Caridade, Conselhos, Esperança with tags , , on abril 16, 2014 by Helen Ians

thankful manA reciprocidade é muitas vezes o que nós precisamos para fazer o nosso trabalho.

Algumas pessoas vêm a nós, em certos casos, particularmente a mim e agradecem: Nossa, deu tudo certo! Exatamente como havia sido dito. E eu respondo, como responderia qualquer entidade aqui presente ou não, mas que pertencem à corrente: não nos agradeça senão muitíssimo a você mesmo, pela delicadeza da fé, pela nobreza de acreditar que a ajuda pela luz que vem do Alto e pela dignidade com que agiu na pureza de espírito que o fez obter o resultado, a glória, a vitória, por menor que ela possa parecer.

E nós agradecemos a vocês cada vez que vocês deixam suas casas e caminham em direção a algum lugar para procurar a paz, para sentir proteção, que pode ser aqui ou em qualquer outro lugar onde isso é possível. Nesta caminhada, vocês já estão entrando em sintonia a partir de si mesmos, com algo ainda maior.

Conscientizem-se, queridos irmãos, filhos, nossos amigos, do quanto cada um de vocês é importante para que, juntos, possamos estender a mão a um aqui, outro lá, que esteja precisando de um conforto, de uma palavra, de um contato, um afago.

Mesmo em silêncio às vezes apenas com um gesto ou uma atitude que se materialize em comportamento, vocês todos podem curar e a cura que aqui é conseguida é através desta energia que flui de vocês, entre nós, e na reciprocidade.

Deus pode tudo e nós podemos, sob a sua graça, e juntos, realizar aquilo que chamam até de milagres. O milagre é isso – o trabalho junto, em uma fé que é universal, que independe de raça, de credos, mas que se transmite, se entrelaça entre indivíduos plenos, como vocês. Protegidos, sim, das intempéries, abençoados, sim, por suas boas ações.

Quando estiverem em pânico, quando estiverem com sensação que seja contra alguma coisa ou alguém, expresse-se de alguma forma, como disse antes, utilizando a melhor arma que cada um tem, que é o seu talento, a sua especialidade, a sua individualidade, e aí, sim, com esta expressão realizada, energia liberada, construtiva, mesmo que crítica, porque tem que ser, aí, sim, entrar em sintonia no nível bem mais elevado e alcançar a paz interior. Absoluta, plena, e para todos vocês, merecida.

Nós nos emocionamos, muito, quando podemos dizer a cada um de vocês, em nome da grandeza dos trabalhos, em nome do resultado, para tantas pessoas, muito obrigado a todos vocês. E que Deus, com certeza, dê a cada um de vocês o seu divino agradecimento por aquilo que vocês doam neste caminho, de coração, e que nos ajuda a prosseguir. Protegidos, caminhemos, elevando-nos a um nível cada vez maior.

PEDRA ALTA

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Colocar escudo em volta

Posted in Caminho Sagrado, Ensinamentos, Esperança on setembro 30, 2013 by Helen Ians

Que os guerreiros sejam bem vindos à Casa de Luz. Neste momento, uma grande limpeza está sendo feita tanto aqui na Casa de Luz como também nas casas dos guerreiros. Que os guerreiros mantenham não só na lua de hoje, mas também nestas luas pela frente a boa energia, os bons pensamentos. Que os guerreiros se blindem, como diz aqui na Terra: colocar escudo em volta. Para que as energias contrárias não tomem conta do espírito do guerreiro, da alma do guerreiro. Para que os irmãos caminhem na paz do Grande Espírito.

Nestas luas da semana, começa a lua da magia onde os guerreiros vão sentir o campo aberto, toda a energia que está ao seu lado.

Vão perceber a diferença e, trabalhando com esta diferença de energia, mesmo sendo mínima, que os guerreiros – sabendo utilizar desta magia no caminho dos guerreiros – encontrem aquilo que buscam, aquilo que desejam em seu próprio caminho.

NUVEM VERMELHA

Não desanimem, remem, nadem, corram atrás de seus sonhos.

Posted in Esperança with tags , on agosto 25, 2013 by Helen Ians

Só quero pedir a todos aqui presentes que não desanimem. Como vocês dizem aqui –  não abandonem o barco.

Remem, nadem, lutem e corram atrás de seus sonhos. Tenham perseverança, tenham coragem e, acima de tudo, tenham muita fé. Não se deixem abater pelas pedras do caminho.

Fortaleçam a cada dia os vossos corações e os vossos pensamentos com o exemplo que nosso Grande Pai nos deixou. Tenham todos uma boa semana e que Deus abençoe a todos.

Juraci

É só ter coragem, não ter medo, e ter fé que as coisas acontecem.

Posted in Ajuda espiritual, Esperança with tags , , on julho 8, 2013 by Helen Ians

florestaQue a Santa Luzia abençoe vocês.
(dizendo aos participantes da mesa: “O que eu pedi está aí?”)
Eu vim deixar uma mensagem que, na verdade, é um relato de uma passagem que eu lembro até hoje. Eu era novo e, como bem disse a irmã Joana, na noite da lua maior, da lua de prata, as coisas aconteciam.

Fechado na cidade de pedra, eu me lembro que eu era novo mas eu permanecia lá e escutava a reunião. Eu me lembro que eram quatro mestres, quatro sábios sentados e discutindo sobre o futuro, discutindo sobre as novas diretrizes das coisas. Na noite desta lua, onde era sempre feito a reunião entre eles, eu moleque para lá e para cá, caminhando de um lado para o outro, mas ficava quieto só pelo olhar do meu pai. Mas eu gostava de participar, mesmo de longe. Eu ficava quieto escutando. Eram quatro sentados na mesa, se é que podia chamar aquilo de mesa. (solicita que se acenda a vela que pediu).

Eu me lembro que, nesta noite, faltava um sábio para chegar e ele estava demorando. Até que um deles pediu para começar a reunião. Acharam estranho o atraso deste outro mas mesmo assim começaram. Acenderam a vela, sentaram, pediram auxílio e ajuda e começaram a conversar sobre um novo caminho, sobre o que iam fazer. Eu gostava muito de escutar aquilo que eles estavam falando. De vez em vez, eram quatro mestres, quatro sábios sentados, conversando.

A reunião começou apenas em três. E eles achando estranho – por que o mais um não vinha? Depois de uma hora, eles escutam o barulho de um cavalo chegando e pelo barulho só podia ser este mais um (que pediu para ocultar os nomes, por isso não vão ser ditos os nomes aqui). Na hora que ele adentrou o lugar, todo mundo percebeu que ele estava apenas com a vela acesa. Na hora que refletia a luz da vela deu para ver que ele estava inteiro machucado, muito, sangrando, mas o olho dele brilhava porque o que ele mais queria naquele momento era estar lá naquela reunião.

Eu me lembro que eu era moleque, mas me lembro de ver tudo isso. O olho dele, todo machucado. Perguntaram o que tinha acontecido. Eu estou do jeito que estou, todo machucado, mas não via a hora de chegar aqui. Foi com sacrifício desta vez, caminho este que já faço há muitos anos para participar desta reunião e eu não esperava que fosse acontecer isso comigo.

Ele relatou que há duas noites que estava vindo, mas a tempestade apertou no meio do caminho. Ele, montado no seu cavalo, não sabia se vinha, se passava no meio da selva, onde tinha todo tipo de bicho, que poderia atacar a ele e a seu cavalo. Mas na fé dele, ele resolveu ultrapassar aquela floresta.

Eu me lembro que era um lugar ruim de passar – aqueles que passavam só passavam em quatro, cinco, seis, para um defender o outro. Além dos bichos perigosos que tinha, que poderiam atacar à noite, também tinha os ladrões, os saqueadores. Este moço não era de luta, não era de guerra – era apenas um sábio, era mestre e estava inteiro machucado.

Ele contou que, ao passar na floresta, foi interceptado por cinco ladrões que quando viram a vestimenta dele e o seu cavalo, acharam que fosse rico, que no seu cavalo estivesse pendurado muito ouro. Bateram nele muito e o arrastaram para ele falar com o chefe dos saqueadores.

Fizeram o caminho de volta da floresta, uma noite antes, levaram ele até o acampamento dos ladrões, dos bandidos, e esperaram até o começo da noite do dia seguinte – até o chefe deles chegar.

Neste meio do caminho, não estavam acreditando que  não estavam achando nada e bateram mais ainda nele.

– E me bateram, me bateram, e me largaram amarrado e o chefe deles entrou para conversar.

– Como é que você tem este cavalo bonito, esta vestimenta toda e não tem ouro pendurado? Você deve estar escondendo algo.

– Eu não escondo nada. O cavalo foi presente de um rei e a roupa, eu mesmo arrumei. Eu não tenho ouro. Eu só tenho sabedoria, força de vontade e coragem. E a minha fé maior, porque onde eu estava indo – era para uma reunião e pedindo a Deus que me ajudassem neste caminho até chegar neste destino. Foi quando o bando teu apareceu e fizeram o que fizeram comigo. Eu não tenho nada, não tenho ouro, só tenho o meu cavalo, a minha sabedoria, a minha coragem e minha fé.

O chefe dos bandidos ficou com receio de tocar o negócio para frente porque ele tinha tocado no nome do rei e resolveu soltar o moço.

– Olha! Nós vamos fazer um acordo. Estou vendo que já olharam seu cavalo inteiro e não acharam nada e não vamos ficar com você aqui, não. Não somos loucos. Sabemos muito bem quem é o rei sobre quem você esta falando. Você vai pegar o seu cavalo e vamos deixar você ir embora, mas com uma condição. Eu acho loucura o que você vai fazer, até porque a noite já adentra de novo. Se é difícil passar de dia nesta selva toda, o que eu quero ver é você passar à noite.

Ele disse:

– Eu já passei várias vezes. Foi a primeira vez que eu tive problema. Não sou um lutador, não sou um cara de guerra e só tenho a minha força de vontade e a minha fé. E é isso que eu uso.

– Se você conseguir passar do meio da selva, os bichos vão conseguir te pegar e você não vai conseguir seguir nem metade do caminho. Se você conseguir chegar do outro lado, você vai cortar um pedaço deste pano que você está usando – você vai recortar e vai deixar um pedaço dele do outro lado. Eu vou mandar os meus homens para procurar você. E se conseguir atravessar, o acordo meu com você  é que vou largar o meu bando e não vou ser mais bandido, vou fazer as coisas diferentes daqui para frente.

E assim devolveram o cavalo para ele, deram uma ajeitada na aparência dele, ele estava muito, muito machucado e ele pegou o caminho para atravessar a floresta.

Esta é a primeira parte da história.

Depois de uma hora da reunião, quando o outro não tinha chegado ainda, eles acenderam uma vela como essa e, depois de uma hora já conversando, de uma hora para outra, a chama da vela começou a ir para lá e para cá. Parecia que dançava de um lado para outro. Ela não parava. Todo mundo começou a achar estranho, inclusive eu, pequeno. E não tinha nenhuma corrente de ar em lugar nenhum, o que também foi procurado. E de uma hora para outra, a chama apagou. Um deles foi acender de novo a vela e, neste momento, o rei falou para não acender, deixar do jeito que estava. Não acende, é para ficar do jeito que está.

Continuaram conversando, eles indignados vendo o que estava acontecendo, não estavam entendendo nada Por que o vento levou a chama? Primeiro ela dançou, primeiro ela virou – aquilo foi transformado em um sinal.

Neste caminho de volta, na selva, este moço quando ele recebeu o seu cavalo de volta, fez o caminho, entrando na floresta à noite, preocupado – não sabia o que ia acontecer. Ele não estava acreditando que o moço ia soltar ele lá dentro e achava que os bandidos iam massacrá-lo dentro da selva.

Eu estava preocupado (ele dizendo, contando a história para os outros três) e olhei meu cavalo que não queria entrar na selva de jeito algum. Eu tocava, ele não andava e eu não queria voltar para junto dos bandidos. E até que apareceu, eu não sabia se estava perto, ou se estava longe, uma luz pequena – eu olhava aquilo e não sabia se estava perto ou longe. Quando ela apareceu, ela hipnotizou meu cavalo que conseguiu entrar na selva e foi indo. Eu escutava os bichos fazendo cada um o seu barulho e aquela luz espantando eles e me acompanhando. O seu cavalo começou a seguir e nós conseguimos sair da floresta na selva. Eu cumpri o que tinha falado. Cortei um pedaço do eu pano branco e joguei no chão.

E aqui estou.

Só que a história não termina aí. Antes, quando a vela dançou para um lado e para o outro, e ela se apagou, eu lembro que eu era pequeno e vi – a vela apagou, a chama apagou, dançou. Aí ela apagou, foi embora. E um pouco antes do moço chegar, do sábio chegar, que já viajava há dois dias, antes dele chegar e a gente escutar o barulho de seu cavalo que era único – a chama voltou a acender de novo. Ela acendeu, parecia que dançou de novo, passou um tempo, foi quando o moço chegou.

Aí cuidaram dele e prosseguiram a reunião e ainda ele disse: eu espero que o saqueador mantenha a sua palavra.

Eu deixo esta história para vocês, hoje. Uma história que aconteceu de fato. Quantos de vocês aqui têm suas tempestades para passar, ou suas florestas com bichos, com isso, com aquilo, e a falta de coragem toma conta, aí os sinais são mandados para vocês. De qualquer jeito é mandado – até em forma de uma pequena luz… Quantos aqui não guiam, não seguem a luz com medo porque acham que é bobagem? Será que é um sinal? Será que é besteira da minha cabeça? São mandadas, para vocês, as coisas, os sinais e feliz daquele onde a fé é mais forte que tudo – porque sabem que estão bem guiados, que estão bem montados, mas não aproveitam. Não aproveitam do que tem, não aproveitam a oportunidade. Não aproveitam o seguir, mesmo que a luz seja pequena, assim como o moço relatou. E vocês podem ter certeza de que o sábio era um sábio sério – não era de inventar história.  Até porque coincidência ou não, a chama apagou e antes dele chegar, acendeu de novo sozinha.

São sinais que aparecem no caminho de vocês e aqueles que estão atentos mesmo a pequena luz é seguida, pois sabem que estão bem montados e estão bem orientados, e com a fé consegue chegar onde quer.

Pode apagar a vela.

E é com esta fé, esta força, esta coragem, que eu espero que vocês todos aqui aprendam a seguir esta pequena luz, aprendam a seguir o rastro daquilo que é deixado para vocês, aprendam a seguir este caminho e vai levar vocês sempre para um caminho melhor, para um caminho onde vocês vão encontrar aquilo que vocês querem. É só ter coragem, não ter medo, e ter fé que as coisas acontecem.

Eu tenho certeza disso.

Assim por muito tempo estas reuniões eram feitas de tempo em tempo, onde se aprendia muito, onde havia respeito, onde havia o destino de muitos, um destino de varias cidades, de verdadeiros exércitos.

Está dado o recado.

Que vocês tenham boa semana pela frente, em nome da Santa Luzia, em nome de todos os deuses aqui presentes, que vocês sigam o que está sendo dado para vocês. E para aqueles que acham que não está sendo dado nada, procurem entrar na floresta, você vai ver que a luz vai guiar vocês. E se o vento levar a luz, vocês vão ver que o vento traz a luz de volta.

PEÃO

Aonde você está? Aonde você quer chegar? E até onde você pode chegar?

Posted in Arte de viver, Conselhos, Esperança, História de Vida with tags , , , , , , on maio 27, 2013 by Helen Ians

CornelisdeVos-Alexander_and_DiogenesQue os deuses iluminem a cabeça de todos aqui. Peço que todos fiquem muito atentos ao relato que vou deixar a vocês e que, no final, vai fazer um grande sentido.

Estava eu perambulando por uma certa cidade, caminhando lentamente, com alguns livros embaixo do braço. Encontrei um jovem rei que havia acabado de perder o seu pai, há poucos meses. Estava muito confuso, tendo seu reino em expansão – ele me parou e começamos a dialogar. De início, eu só escutava e ele me falava sobre as idéias dele, o que ele queria fazer, mas em nenhum momento me dizia até onde queria chegar. Eu lhe perguntei: me responda apenas três perguntas – Aonde você está? Aonde você quer chegar? E até onde você pode chegar? Ele se calou, olhou para mim, não respondeu nada, e depois disse: “com os olhos irei te mostrar”. E, assim, acabou  nosso diálogo, com os dois calados, cada um seguindo sua direção. Ele foi, travou muitas batalhas, e a cada batalha nova que ele iria encontrar, ele olhava ao céu e tinha uma águia. Toda a vez que a águia estava lá, ele vencia a batalha. Isso foi expandindo ainda mais o seu reino, só que certa vez a águia não estava lá e ele fez a guerra da mesma forma e obteve a derrota.

Para muitos, julgam que ele foi derrotado, que ele foi um tolo pois toda a vez que a águia estava lá, ele vencia. Quando a águia não apareceu, por que ele não recuou? Ao final desta mensagem, vocês vão ver como ele não recuou, e ele não teve a derrota. Ainda hoje, depois desta mensagem, vai ficar mais esclarecido, mas muitos ainda julgavam que ele havia perdido esta guerra. Mas foi com esta derrota que ele me provou, e provou a muitos outros, aonde ele queria chegar e até aonde ele poderia chegar.

Confuso? Onde ele queria chegar?

Caio: Posso responder?

Fica à vontade. Eu perguntei.

Caio: Mas eu posso citar nomes ou não é bom agora?

Ainda não.

Caio: A sua lanterna, senhor, iluminou os olhos azuis que mostraram exatamente o céu onde a águia ia um dia aparecer, ou sempre apareceria para este grande homem.

Poderia interromper o senhor neste exatamente momento pois o senhor já deu a deixa que eu gostaria que deixasse.

Caio: A linguagem que o senhor usou com Sua Majestade foi a de olhar nos olhos, exatamente, e continuou assim – embora tenha havido uma derrota aparente, a vitória foi eterna pois o maior objetivo deste grande homem…

Pode parar se não você vai estragar…

Caio: pureza de objetivos, pureza de princípios..

Continuando, antes que o senhor acabe com  a minha mensagem (risos). Muitos acharam que era derrota. Agora, mudando um pouco de diretriz, eu faço a mesma pergunta a um de vocês mas não responda de imediato pois esta pergunta será direcionada à pessoa certa, talvez não seja só uma mas sejam duas. Mas, como um grande amigo disse nesta noite, sobre a lógica, vamos brincar um pouco com ela.

Diante dos números, qual o primeiro número que tem, tirando o zero? – O um.

 

Qual a primeira letra do alfabeto de vocês? – A.

 

Quais as cores primárias com A? – Azul e Amarelo.

 

Engraçado, não? Vamos agora direcionar a pergunta ao primeiro guerreiro. Tem algum guerreiro usando vestimenta azul? Mais de um – muito bom. Algum dos dois quer ser voluntário? – Posso ser.

Se eu perguntar ao guerreiro, onde você está, onde você quer chegar e até onde você pode ir?
– Sinceridade? Quero chegar, onde eu tiver felicidade.

Para você que está com a camiseta azul, o céu é o limite? – Sim.

Perfeito. É onde eu queria chegar com você (pergunta agora sobre alguém com roupa amarela).

Vamos lá. E para você, guerreira, faço a mesma pergunta que fiz ao guerreiro ao lado. Onde você está, onde quer chegar e onde pode ir? – Eu não sei onde posso ir.

Era exatamente isso o que eu queria que respondesse. Coincidência ou não, está tudo saindo de acordo, se eu não interrompesse o rapaz (risos). Então vamos lá: você não sabe onde você quer ir. A cor de sua camisa é amarela. O sol de que cor é? – Amarelo.

Dizem que o sol é muito quente e muitos tem medo de chegar até ele. Entendeu por que você não sabe onde quer chegar? Porque tem medo de se queimar.

Só que podemos olhar de outra forma este amarelo de sua vestimenta e do seu sol, que está com você. Talvez por nosso amigo voluntário… (pergunta seus nomes: Fernando e Will). Ao guerreiro Fernando, o azul e o céu é o limite. Para muitos é bom. Cada um tem sua escolha. Agora o seu é amarelo (dirigindo-se ao outro) e depende da maneira que enxerga –  pode ser um cadeado te prendendo ou pode lhe dar asas para chegar ao sol. Porque o sol, o que ele transmite? A luz, e a luz não tem fim. Se perder o medo de se queimar, você pode ir longe, entendeu?

Eu peguei somente estes dois guerreiros voluntários, talvez por uma coincidência das camisetas ou do que eles estão passando. É meio confuso isto. Mas serve para qualquer um que está aqui. Poderia ser você, ou você… até mesmo se eu perguntasse quantos estão com uma calça jeans azul? Muitos. Quantos tem o cabelo amarelo e assim por diante. Mas eu resolvi pegar estes dois guerreiros de exemplo. Então vamos ao que interessa porque não podemos mais perder tempo.

Voltando à historia do jovem rei, nesta última luta que muitos julgaram que ele perdeu, ele não perdeu. Ele sabia exatamente o que estava fazendo e o que iria acontecer. Toda vez que a águia estava ali, ela estava mostrando que o céu iria ser o limite. A cada batalha, o céu era o limite – ele ia ganhar o território mas não obter a glória que ele tanto desejava. Várias vezes a águia lá e muitos acharam que era o sinal de vitória. Muitos se enganaram. Era o sinal de que o céu era o limite. Na última batalha (alguns dizem ser a última… respeitamos), a águia  não estava  lá – alguém sabe me responder por quê? – Não.

Porque o céu,  naquele momento, deixou de ser o limite. Ele iria alcançar o sol e a minha pergunta iria ser respondida: aonde ele estava, aonde ele queria chegar e até aonde ele poderia ir. E observando agora, o senhor pode falar o nome dele.

Caio: Alexandre, o Grande.

Ou seja, se agora nos dias de hoje vocês ainda conhecem… tem algum guerreiro que não conhece? – Sim

Converse com alguns guerreiros aqui e eles indicarão filmes e livros se desejarem conhecer.

Então, como muitos conhecem, ele atingiu o objetivo dele que era o sol, ou seja, a eternidade. Fui claro? Ele foi claro também?

Rita: Me veio, não sei se é só fotografia, digamos assim, a última imagem, a última visão dele antes do desencarne, foi exatamente a águia, não foi?

Talvez.

Caio: O Sr. me permite? Eu só queria, com a sua permissão, dizer o nome do pai de sua majestade, Alexandre, o Grande, a quem eu admiro muito, e toda humanidade deve muito – Felipe II, da Macedônia. E por que o senhor não diz o seu, que é tão lindo o seu nome?

Porque eu não preciso disto. Você quer que eu diga o meu nome? Direi. Eu vim de um rei, na época imperial, e eu era apenas um bobo da corte.

Espero ter sido claro e ter tirado a dúvida dos meus dois voluntários. Espero ter ajudado. Fico feliz por isso e agradeço a oportunidade e a cooperação de todos aqui. Desculpe a brincadeira, irmão (a Caio) e agradeço a todos. Que os deuses abençoem e iluminem a mente de cada um de vocês.

O bobo da corte

Olhar dentro de si, preocupados com a luz e não com a lâmpada: este é o caminho certo.

Posted in Esperança, História de Vida with tags , , , , on abril 1, 2013 by Helen Ians

grande montanha sagradaQuantos guerreiros buscam, lutam, caminham, em vez de fazer o encontro com si mesmos. Acabam se perdendo no caminho, porque não conseguiram encontrar a si mesmos, olhar para dentro de si e buscar a resposta. Como bem disse o guerreiro Pedra Alta, “sejam bem vindos” – Cacique vê como o guerreiro é bem vindo primeiro com ele mesmo para depois, sim, escolher o seu Caminho Sagrado.

Quantos aqui se esquecem de si mesmos porque estão correndo, como Cacique escutou estas luas, correndo para ganhar a vida, o sustento. E aí Cacique pergunta aos guerreiros: como correndo para ganhar a vida se os guerreiros já têm a vida? Porque se os guerreiros já têm a vida, é para ser sentida – e não apenas caminhar.

A partir do momento em que escolheu o caminho sagrado, está sentindo o caminho – só que antes de tudo isso, olhou para dentro de si e realmente os guerreiros sabem quem são. Sabem o seu nome, como diz o guerreiro Lobato, sabem de sua essência. Aí estarão preparados para fazer o longo caminho.

Cacique se lembra de história contada há luas atrás, que hoje serve aos guerreiros que não a conhecem. O Grande Guerreiro da tribo precisava escolher alguém para ficar no lugar. Cacique da tribo,  já velho, com idade avançada, precisava escolher um grande guerreiro que tivesse a força de  um grande urso, a visão longa de uma grande águia, uma energia forte, sabedoria equilibrada, onde também guiado pela energia da magia sagrada, do Grande Espírito, seria o guerreiro escolhido.

Este guerreiro já tinha um nome certo, de um guerreiro da tribo, que tinha todas estas qualidades. Este guerreiro chefe da tribo, quando estava dormindo, fez o seu encontro, se desprendeu do corpo, com o Grande Espírito, e escutou: Guerreiro, este não é o caminho. Para o guerreiro ter certeza, faça uma prova, faça o teste. E assim foi passado ao guerreiro chefe como seria.

Na lua do dia seguinte, guerreiro chefe reuniu conselho de tribo e falou aos grandes guerreiros: Vou fazer uma prova difícil. Quem quiser participar, é bem vindo. Os guerreiros vão ter que subir a montanha sagrada do norte, atravessar até chegar do outro lado da montanha. Só que a montanha era muito grande e demorava para subir e atravessar a montanha até chegar do outro lado. O primeiro guerreiro que chegar é o guerreiro que vai ficar no lugar do cacique chefe da tribo.

Assim muitos guerreiros, na lua do dia sagrado, apareceram – desde guerreiros mais novos até guerreiros mais velhos, guerreiros bem mais velhos, para fazer a tal travessia da montanha sagrada. Do outro lado da montanha, cacique chefe com o guerreiro xamã esperava para ver qual guerreiro chegava. Guerreiro chefe disse: Sei quem vai fazer a travessia, vai ser o primeiro a chegar. O guerreiro da energia maior, este vai ser o primeiro a chegar.

Os guerreiros deram início e saíram correndo, caminharam até a grande montanha, subindo a grande montanha – muitos não conseguiam. Escorregavam, caíam lá para baixo, escorregavam de novo. Assim foi, no tempo de vocês, horas passando. Os guerreiros tentando fazer a subida, até que o primeiro guerreiro chegou – e assim foram chegando os outros. O guerreiro chefe da tribo estava inconformado porque o guerreiro forte não chegava e disse que não entendia o que estava acontecendo. Como foi que o guerreiro não chegou, se o guerreiro tem todas as características de ser firme, de ser equilibrado, ter sabedoria para atravessar?

E assim foram todos chegando e nada. Até que o guerreiro chefe resolveu pegar grande xamã, atravessar do outro lado, para olhar para baixo e ver o que estava acontecendo. Onde está o guerreiro? Quando chegou do outro lado, com o grande xamã, a cena que os guerreiros viram foi a resposta do Grande Espírito.

O guerreiro da energia forte estava lá embaixo. Até que grande guerreiro da tribo se aproximou com o grande xamã e disse: Guerreiro, o que aconteceu? Por que não foi o primeiro a chegar? Cacique não entende, guerreiro.

Foi quando o guerreiro disse: Só um momento, guerreiro – e ajudou, estendeu a mão a um dos guerreiros mais velhos da tribo que não estava conseguindo fazer a travessia, já machucado. Estava ajudando este guerreiro assim como ajudou outros guerreiros a atravessar, a subir a montanha sagrada. Depois de ajudar o guerreiro, e chegarem juntos, disse: Guerreiro, com todo respeito ao Grande Espírito, ao grande guerreiro-chefe e ao guerreiro xamã, eu sei quem eu sou, eu sei a força que tenho e sei que, se quisesse, eu teria sido o primeiro guerreiro a chegar. Mas preferi ajudar aqueles que tinham esperança na subida pois, para eles, naquele momento da subida sagrada, não pelo fato de chegar primeiro – porque muitos já sabiam que não conseguiriam ou demorariam a fazer subida – mas pelo fato de que, naquele momento, para muitos, aquela subida era tudo. A esperança de muitos ao caírem e se machucarem, era tentarem de novo. Era a esperança, esta fé de pelo menos conseguir, saber que o seu esforço foi recompensado e para si mesmo saber que podia. Por isso eu preferi ficar para ajudar. Eu já sei da minha força.

eagle-flightNeste momento, grande águia da visão longa passou do lado, dando sinal pelo Grande Espírito de que realmente seria o guerreiro certo. Esta foi a confirmação. Cacique da tribo já sabia mas precisava da confirmação maior do Grande Espírito sobre o grande guerreiro.

E assim o grande guerreiro tomou conta de sua tribo, de sua aldeia, defendendo a sua tribo, lutando pela sua tribo, pensando em todos. Era este guerreiro, cada vez mais se transformando em um grande guerreiro sábio, onde a cada lua fazia o seu encontro, sozinho, que o grande guerreiro cacique da tribo via.

Por muitas vezes este guerreiro, antes da guerra, antes da luta, ou até mesmo antes da fogueira sagrada, subia até esta montanha e conversava com o Grande Espírito, fazia o seu encontro, e a resposta chegava imediatamente. Seu espírito, na descida da montanha, voltava mais forte. A sua alma ficava mais forte para poder seguir o caminho, o seu caminho, e onde o caminho de muitos também era preservado por este guerreiro. Era a responsabilidade por uma nação, uma tribo, onde por muitas vezes, ou até mesmo pelo fato do encontro, esta montanha se tornou conhecida como a montanha sagrada onde o Grande Espírito traz a visão maior.

E desta visão, misturada com esta energia, com esta força sagrada, que os guerreiros têm que fazer a sua busca. E saber que os guerreiros não caminham sozinhos, saber que aquele braço estendido, por muitas vezes, os guerreiros não vão enxergar o braço ou a mão. O sagrado se torna invisível aos olhos daqueles guerreiros que estão preparados a receberem. O invisível se torna sagrado àqueles irmãos com boa vontade, àqueles guerreiros que realmente buscam, como foi dito, a sua verdade, buscam realmente aquilo que querem, fazendo do seu caminho realmente um caminho sagrado. Como disse um grande guerreiro, há muitas luas atrás, hoje em dia o que se vê são guerreiros preocupados em olhar para dentro de si mas muitos ainda quando olham, estão mais preocupados com a lâmpada do que com a luz.

A partir do momento em que os guerreiros olharem para dentro de si, preocupados com a luz e não com a lâmpada, podem ter certeza de que este é o caminho certo de um grande guerreiro, onde por muitas vezes, aquele braço invisível, ou a mão invisível, se torna visível. Ou até mesmo uma paisagem sagrada, no final, se torna uma lembrança onde, sim, já passaram, onde, sim já estiveram. E se os guerreiros perguntarem por quê, no final, a paisagem estava pronta, na tela sagrada do Grande Espírito, é porque não é o final e, sim, o começo da sua visão sagrada. Porque estão conseguindo enxergar aquilo que outros não conseguem.

São estes momentos sagrados, como disse ontem um grande guerreiro para Cacique, em um trabalho – são momentos voltados ou em tela ou em uma grande paisagem, que se tornam únicos, onde o maior responsável é o próprio guerreiro, a própria guerreira, que conseguem através da boa vontade transformar a sua paz em um bem maior. Transformar a sua pintura, onde aqueles guerreiros abertos a caminharem no sagrado estão prontos, para cada vez mais alcançarem a grande luz.

Não importa se o sagrado é a luz, se o sagrado é a pintura em uma tela, como foi dito ontem, não importa. O importante é o visível se tornar invisível, ou o invisível para os guerreiros se tornar visível, e os guerreiros estarem conectados com o Grande Espírito, onde a sua história principal, como foi dito ontem a Cacique, vai ser transformada em uma grande tela onde os guerreiros vão poder caminhar, sentir e viver novamente o sagrado do sagrado, do sagrado.

Participante: Eu queria ter estado ontem, seja lá onde for. Eu nunca vi uma definição mais deslumbrante da arte. Muito obrigado.

Cacique agradece palavra do guerreiro. Ontem, com toda a corrente, muitos dos pintores conhecidos estavam reunidos, presentes, pintando, mostrando a sua energia, em forma de paisagem, em forma de tela. Toda a corrente estava presente na ajuda ao trabalho, na limpeza, por isso este contato com toda a corrente sagrada, com todos os pintores sagrados, onde todos se tornam um, onde todos somos um.

Cacique agradece a energia, guerreiro.

NUVEM VERMELHA

No ponto do meio da estrada da dificuldade e da estrada sagrada, está o crescimento e a transformação.

Posted in Caminho Sagrado, Casa de Luz, Esperança, História de Vida with tags , , , on março 18, 2013 by Helen Ians

redroadJá me foi designado hoje e é claro que eu não tinha como negar um pedido dos nossos amigos, em especial do chefe, do Cacique, por isto estou aqui para contar para vocês uma passagem que foi permitido contar pelo nosso irmão que está aqui hoje. Voltando lá para trás, na história, para vocês entenderem e se aproximarem mais de toda a corrente que está aqui, para terem mais conhecimento, que é bom, sobre até onde leva a fé de um homem que lutou pela aldeia. Só que a sua luta era diferente. Era a luta da energia, a luta do espírito, a luta de um bem maior e que se travava na mesma balança, entre o bem e o mal. O contraponto disso tudo era que muitas vezes esmorecia com as atitudes de alguns.

Acredito eu assim, como foi contada a história para mim (e fiquei surpreso até porque eu sou de bem mais para trás): a história do homem considerado santo, na tribo sioux, desta corrente forte que tem aqui. Este é um relato do homem considerado santo chamado Alce Negro. Vou contar para vocês uma das passagens. Ele vivia isolado em uma montanha, quieto, apenas com suas visões das coisas, dos seus pensamentos: Onde será que vai chegar tudo isto? Para onde vai?

Em uma conversa com um sujeito que foi à sua procura, eles caminharam até uma montanha sagrada, que dava vista para uma colina, onde o vento batia, o céu limpo. O calor esquentava a pele daquele homem já velho, já com a idade avançada e ele, olhando o rapaz novo, do lado, disse: ainda posso ver, mesmo com meus olhos cansados, mesmo com esta pele enrugada, e mesmo do jeito que estou, já velho. Não sei se tenho muito tempo mas ainda posso ver atrás da colina, mulheres e crianças mortas. Ainda posso ver com estes olhos cansados que tenho, a tristeza tomando conta daquela terra, onde na verdade se dá para ver muito mais coisas, porque o temporal do vento levou tudo, a neve acobertou o resto – tenho certeza disso. A cena, eu não esqueci nunca mais. Cada vez que olho para aquela terra, era bem ali – ainda escuto as crianças chorando, correndo, as mães preocupadas com os filhos correndo para lá e para cá. Ali, moço, existiu uma tribo que tinha um sonho e o sonho era belo, era sagrado. Sim, o sonho era belo e o sonho era sagrado.

Após uma pausa, este homem já velho, considerado santo, já dava para notar no seu rosto, banhado de lágrimas, o rosto já cansado, sem esperança, e disse: eu ainda tenho um pedido a fazer antes de morrer: caminhar até aquela colina, novamente, aquelas terras que a gente está vendo aqui de longe, e fazer uma pergunta. Procurar entender e deixar a minha tristeza em forma de recado para o Grande Espírito e também para os meus seis avôs, os meus antepassados – outros Alces Negros, também xamãs, também sagrados da tribo e que tinham também a visão. Esta visão me foi dada quando eu era novo. Passados alguns dias, Alce Negro comentou com seu filho, mais o sujeito do lado e mais alguns, e o levaram, novamente, para o lugar de sua visão, o lugar onde o Grande Espírito tinha dado a visão a ele. Arrumaram as coisas e foram.

Chegaram em um dia de sol forte, o céu claro, era muito quente, fazia muito calor. Não havia uma nuvem sequer no céu. Este guerreiro, da mesma forma quando era novo e lhe foi dada a visão, falou que a visão que tinha tido e que tinha sido dada a ele, era a visão pura de um bem maior, onde todos se encontravam no centro da terra e a bondade existia. Não existia a maldade, todos lutavam por uma mesma questão, onde esta causa era vista como pura, sem maldade.

E ele repetiu novamente: E da mesma forma que eu vim quando era mais novo, pintado. E o sujeito perguntou o porquê daquele jeito da pintura: a pintura do joelho para baixo era preta porque era o começo e depois ela se tornava amarela, para cima, que era o nascimento, o crescimento da luz divina, sagrada. Por isto a pintura desta forma. Começava em preto, no escuro, e depois crescia como uma arvore sagrada.

Da mesma forma, aquele homem estava daquele jeito, já velho cansado, pintado. Pegou seu cachimbo com o braço direito, levantou seu cachimbo, reverenciou o Grande Espírito – todos olhando em volta, três, quatro passos para trás, em forma de respeito, deixando-o expressar, quem sabe, a sua última vontade.

Pegando o cachimbo, levantou o cachimbo e disse:

Grande Espírito, meu avô, agradeço a ti pela visão dada há muito tempo. Eu sei e sou grato por isso, pela sua força. És mais forte que a oração. O vento, o sol, as estrelas, o verde, os animais de quatro patas, os seres de duas, foram criados por ti. O meu respeito e minha gratidão são grandes. E hoje estou eu aqui, meu avô, diante de ti, Grande Espírito, com meu cachimbo sagrado, que o senhor, meu avô, deu para mim, para que eu cumprisse a minha missão aqui na Terra, no centro sagrado da Terra. Agradeço a Ti, meu avô, por tudo. Lembro, lá para trás, quando meus olhos, ainda enxergando da forma perfeita, tive contato a primeira vez, no centro da Terra, onde todos se encontram, com seu espírito, com a sua energia, todos os espíritos, porque eu fui até lá em forma de espírito e o senhor, meu avô, mostrou a mim a bondade, mostrou a mim a alegria, mostrou a mim a pureza de um caminho onde existe uma estrada vermelha sagrada.


Four-Winds-of-the-Seven-Nations-550x539Ganhei do senhor um lago sagrado, ganhei do senhor um arco sagrado – foi meu presente que o senhor me deu vindo do oeste, um arco sagrado que era para purificar e fazer a cura através da água, através da energia.

Da mesma forma agradeço o presente vindo do leste, que é o meu cachimbo, onde com ele abençoava e curava também os necessitados.

Do sul, o presente maior, o círculo sagrado do Grande Espírito e a árvore sagrada. E a árvore sagrada, que eu lembro, como se fosse hoje, que era para eu fazer florescer esta árvore sagrada. Hoje, o tempo passou, já estou velho, e o que me resta no caminho, é alguma raiz sagrada de tempo que é pouco, e eu não consigo mais enxergar aquilo que eu via antes.

E assim como meu último pedido, Grande Espírito, meu avô, eu tenho certeza que eu não vou conseguir mais subir nesta colina, novamente, pela idade, pelo cansaço, porque me resta pouco tempo. Eu peço a ti, como último pedido, não por mim, que sim tive esperança, em um caminho mas a árvore está seca, ela secou. Meu avô, a árvore secou, eu não consegui fazer a árvore crescer. Eu peço, não por mim mas pelo meu povo, sagrado, que o senhor, Grande Espírito, meu avô , mostre a eles novamente a esperança. Mostre a eles novamente a fé. Hoje não existe mais o centro, hoje não existe mais a árvore sagrada, e aquela que o senhor pediu, ela secou. Não consegui – não por mim, mas por eles, pelo meu povo, que eu tanto gosto, ajude-o como último pedido. Que eles encontrem novamente, assim como me foi mostrado, há tempos atrás, quando ainda era novo, a estrada sagrada, a estrada vermelha, de um lado, e a estrada da dificuldade, do outro, onde quando elas se uniam, a estrada vermelha, sagrada, com a estrada da dificuldade onde elas se uniam, lá era o ponto sagrado. E eu consegui entender o cruzamento destas duas estradas, era aquele ponto onde se cruzavam, era o ponto sagrado, era o eixo, era o centro de apoio. Eu peço a ti, Grande Espírito, que mostre novamente a esperança, a fé para todo o meu povo, para que eles encontrem tranqüilidade, para que eles encontrem a paz dentro deles, na estrada vermelha, sagrada. Que eles possam caminhar – as crianças, a mulher, os adultos homens – em paz, porque ali tinha um sonho, ali vivia com a tribo.

E neste momento, quando Alce Negro, falando com seu rosto banhado em lágrima, com seu cachimbo levantado, suplicando ao Grande Espírito, ao seu avô, neste momento se formou uma nuvem onde se sentia uma chuva branda, uma chuva leve, que logo passou. E este foi o sinal para este irmão perceber mais uma vez que não estava sozinho. Quando ele caminhava montanha acima, com seu filho, e mais algumas pessoas, ele disse a seu filho: Meu filho, hoje alguma coisa vai acontecer lá. Eu preciso de uma resposta. E esta vai ser minha última pergunta e a minha ultima resposta. Eu tenho certeza de que vai acontecer alguma coisa.

RainyCloudsE com o sol que fazia, sem nuvem nenhuma, com o céu claro, esta nuvem se formou, a água caindo, banhando mais ainda o rosto de todos e daquele homem já velho, sagrado pelos grandes guerreiros, aqui. E passados alguns dias, este grande homem se foi, partiu, ao lado do Grande Espírito.

Para quem não sabe, esta é uma história verdadeira, da passagem deste grande guerreiro que passou pela Terra, e que está aqui, hoje, onde até o seu último momento teve a sua fé, teve a sua esperança, teve o seu sinal. Passado algum tempo, plantaram uma árvore naquele solo onde foi feito muito derramamento de sangue, e até hoje esta árvore existe. Até hoje esta árvore está lá, com fruto, com o vento batendo nela, com os pássaros que se aproximam e cantam, agradecendo por mais um espírito de luz que teve o seu contato com o Grande Espírito, com o seu avô onde teve o seu sinal, passou pela Terra, fez o que tinha que ser feito e no seu último momento, teve o privilégio de ter o sinal que queria. E é com esta fé, com esta esperança em vossos corações, como diz o meu amigo aqui: onde todos somos um – onde é no centro do solo sagrado, na estrada vermelha, o caminho sagrado do Grande Espírito, que a coisas acontecem.

Quando vocês irmãos dão oportunidade – como eu costumo dizer, ficam com o canal aberto – quando dão oportunidade, sem a cobrança, da fé maior, da esperança, que assume controle da sua rédea, do seu cavalo. E assim ela toma uma proporção maior e se torna forte e aquela árvore sagrada que nunca floresceu, começa a florescer. A esperança, a fé, até o último momento, para aqueles que realmente lutam e acreditam no seu caminho, no caminho sagrado, no caminho vermelho. É com esta mensagem, com esta história, que eu peço a todos, irmãos, aqui, que se concentrem, que fechem os olhos, que meu irmão Kaiháa, que faça o seu canto, único, sentindo toda a força maior aqui presente, numa só unidade, como diz o meu amigo Alce Negro.

Canto de Kaiháa

Eu estava no meio da mata,

Perdi o meu maracá.

Eu estava nomeio da mata,

Achei o meu maracá,

Com ele eu vou ficar.

A-reina-reina-reina roa…

Que a Santa Luzia, abençoe a ti, irmão, e a todo o seu povo. Agradeço a todos, a energia aqui desta Casa. Agradeço a missão que me foi dada de transmitir a história – para mim foi uma honra. Eu espero que todos tenham esta fé, esta esperança dentro de cada um. Lutem por aquilo que desejam, busquem. Caminhem com a Santa Luzia, caminhem com o seu Deus, neste caminho, onde por muitas vezes, eu posso falar para vocês, que as estradas se misturam (como foi dito). A estrada vermelha se mistura com a estrada da dificuldade. E neste meio ponto, neste cruzamento, como já falaram aqui, é onde está o sagrado. Neste cruzamento, é onde existe e vai existir aquilo que realmente vocês querem, aquilo que realmente está fazendo cada um aqui crescer e se transformar, como a árvore sagrada do nosso guerreiro Alce Negro, não a árvore seca que por muito tempo ficou seca e não tinha como crescer. Não tinha a boa vontade. O que se via era sangue derramado. Não era criança feliz correndo para lá e para cá, não era uma família feliz correndo para lá e para cá. Por isso a árvore ficou seca. Onde há boa vontade, se aprende; onde há o querer tudo se transforma.

Quando se realmente quer uma coisa, lute, mas acima de tudo caminhe com esperança, e com fé, com Deus. Vocês podem ser atentados por certas coisas, eu sei, é só ficar atento – os sinais são mandados. Lembrando a alguns, como já é falado aqui: para se encontrar a derrota basta um buraco, e ele pode estar à sua frente e você pode meter o pé no buraco. Antes de colocar o pé no buraco, caminha com Deus, como disse o meu amigo. Caminha em paz. Quem procura a paz, quem busca a paz, caminha tranqüilo e a árvore cresce, não fica seca. É o que eu desejo para todos, aqui. Uma boa semana para vocês, de muita esperança, de muita fé, e de muita conquista. Que vocês não façam o caminho contrário, que é desistir. Lutem por aquilo que querem e façam do seu caminho o melhor caminho. O vento vai estar por perto ajudando, ou de uma forma tampando o sangue para que não vejam mais desgraça. O vento vai soprar para um e para outro: segue em frente, ou puxa a rédea – cuidado! tem coisa que você não agüenta, tem coisa maior que você. É o que eu desejo aqui, nesta casa sagrada, onde mesmo após muito tempo, eu ainda como peão, como cigano, escuto o sino batendo da capela branca.

Guerreiro Peão