O que você pode fazer pelo mundo?

Um bom tema, bem iniciado, pelas palavras que acabaram de ouvir, para esta noite, é a dualidade – o bem, o mal, o próprio e o inapropriado, o bom senso e a ignorância, e assim vai. Sempre há um meio termo, sem dúvida alguma. Mas o meio termo não é bom para vocês. Ninguém pode ser mais ou menos bom. Ou mais ou menos razoável. Poder, pode; não deveria. Portanto é importante que se tenha a noção dos extremos, a possibilidade do intermediário, mas caminhar entre uma coisa e outra não deve ser como se estivesse à beira de um abismo em um atalho muito estreito. Exige-se de todos nos o equilíbrio sem duvida alguma, mas sem preocupação de escorregar aqui ou lá.

Uma coisa que tem sido dita há semanas e seguidamente é quem tem a certeza de si mesmo? Quem segue os seus princípios ou os parâmetros universais de conduta não deve estar preocupado com limites, embora tenhamos que ter limites, sim, em determinados momentos.

O que é o limite? É o ponto que eu não devo ultrapassar porque eu não saberia como lidar com o que está do outro lado. Seja de um lado ou de outro, seja um ponto ou outro. A noção do equilíbrio não é possível explicar a não ser pelo exercício, caminhando. Mas quando eu digo que a trilha não é estreita é que muitos de vocês caminham com medo de escorregar. Já levantam pela manhã com dúvidas a respeito de… Pior se fosse duvida haveria um objetivo… Às vezes levantam sem nenhum, e se deixam levar pela coisa constante, pela mesmice.

Caminhem, mesmo em uma trilha estreita, com a certeza do destino, do ponto onde querem chegar. E se tem medo da altura, do tombo, da queda, não olhem para baixo nem para os lados em determinadas circunstâncias, mas à frente. Enxergando seus passos, sem perder a noção da distância que tem que percorrer.

Sinto todos vocês, em excesso de momentos com angústia, com medo. De que? Um pouco de culpa alguns sentem por ter a noção de seus erros. Em vez de se sentirem culpados, façam um ato de contrição, mesmo sem parar de andar no caminho, pensem: errei, tropecei, caí, levantei, estou andando outra vez. Nao são vocês que tem que ter medo ou se sentirem culpados. Não vou citar quem deveria ter ou quem de fato é culpado. É só vocês olharem em volta para ver exemplos daquilo que não deve ser feito, daquilo que não pode ser aceito.

A aceitação é outro tema importante que eu gostaria que o conselho viesse discutir com vocês outro dia. Uma coisa é aceitar porque se entende, porque se percebe, porque se tem conhecimento. Aí, sim, a aceitação pode ser verdadeira. O que não se pode é aceitar uma realidade que ofende, agride, destrói. Aí, olhando para frente, seguindo na trilha, sem medo, dizer – eu não quero isso para mim, meu caminho é outro, meu objetivo é outro e quem decide sobre a minha vida sou eu. Nisto tudo quais são as qualidades, algumas até atributos, características com que nascemos? É preciso ter – fácil falar, difícil praticar – coragem, determinação e discernimento. Principalmente, discernimento. Não há ninguém corajoso de fato e com bons resultados na sua audácia em enfrentar o que quer que seja, se não sabe antes discernir. É como diz o guerreiro Peão, fraco abusado, que lança da espada, incompetente porque não discerniu porque não avaliou sua própria capacidade.

Capacitem-se, pois, à luta, à guerra, e como fazer isto? Não está nos livros nem nas telinhas, não está lá. O grande ensinamento está lá fora, mas não na multidão. Nos exemplos da própria natureza, na sequência das estações, na lógica perfeita das mudanças, das transformações. É este o livro, o veículo que vocês devem aprender a ler. Não só ler, mas aprender. E discernir.

Eu me sinto, em determinados momentos, como uma folha que cai da árvore no outono, levada longe de sua origem, a alguma terra distante e sobre ela cai, para ali se transformar, se for uma semente, ali plantar. São imensas as possiblidades de transformação a cada dia. Pensem nisso, encontrem um sentido da vida, não apenas se atormentem com aquilo que lhes ofende. Àquilo que lhes ofende, com razão, a melhor resposta é a sua conduta.

Quiséramos todos nós que vocês pensassem assim: a força do indivíduo, o significado do seu comportamento. Se vocês tem influência sobre outras pessoas, conversem com elas a este respeito. O que você – diga à outra pessoa – pode fazer pelo mundo? Ela vai se surpreender porque ninguém hoje em dia faz perguntas profundas, apenas bobagens. E ela vai te responder, seja o que for. Você dirá: nossa, se não sei fazer isso, nos dois juntos faríamos algo… Imagine a multiplicação disso. Isto é ter consciência de suas possibilidades, ouvir das possibilidades do outro, e se complementarem. Eu tenho visto, e triste, pessoas altamente capazes, incapazes todavia de doar-se no que quer que seja.  De lembrar de uma pessoa qualquer, comunicar-se com ela e perguntar: como vai você? Verdadeiramente. Mas não. É mais fácil ignorar, não é? E uma coisa eu tenho certeza, a ignorância, seja lá do que for, não leva a lugar algum.

Aprendam, reaprendam, com aquilo que vocês sabem e ensinem um pouquinho disso aos outros. Estendam a mão, de vez em quando faz bem – principalmente para quem pede. Às vezes, não com palavras, mas com o olhar triste. É isso. Recepção, primeiro, consciência logo após, discernimento e a escolha. Escolham.  Se não for bom, lá na frente mudem.  O que não pode acontecer é esperar. Que a escolha, a vocês escolha.

Tudo que eu peço é que tenham o mínimo de ação, como se fala muito aqui – um passo basta para sair do lugar. Ou voltar a este lugar quando queiram, com saudades, se for o caso.

Muito agradecido e honrado pela presença de entidades iluminadas nesta noite. Estou triste porque tenho visto vocês assim, amedrontados, acuados, fechados como uma pérola linda e perfeita, ainda na sua concha. Abram-se para o mundo, façam-se brilhar. Se precisarem de ajuda, na hora da angústia, do medo, da tristeza, chamem um de nós. Eu não vou aparecer assim, fazer poo! – mas peçam a presença aconchegante. Ouçam – vocês são capazes, já! -porque subiram degraus na espiritualidade – de nos ouvir, além daqui. Em qualquer cantinho, onde vocês estiverem consigo mesmos.  Em qualquer cantinho, em qualquer lugar, a qualquer hora.

PEDRA ALTA

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