Arquivo para julho, 2017

Abertura

Posted in Uncategorized on julho 24, 2017 by Helen Ians

Que os guerreiros sejam bem vindos à Casa de Luz, aproveitem este momento de paz, serenidade para que elevem o pensamento ao Grande Espírito, caminhem lua a lua, dia a dia se transformando, não esquecendo como disse o guerreiro Peão, nestes dias: a transformação é dentro de si, de dentro para fora.

NUVEM VERMELHA

Palestras 17jul2017

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A história dos dois ursos.

Posted in Uncategorized on julho 24, 2017 by Helen Ians

the bear

Esta noite gostaria apenas de relembrar aos queridos irmãos uma história, provérbio, ensinamento repetido algumas vezes nesta Casa, mas nunca é demais, principalmente como disse o nosso irmão Cacique, sobre a importância da busca da transformação.

E esta história já contada é sobre os dois ursos. Todos têm dentro de si dois ursos. O urso bom e o urso ruim, e cada um vai crescer de acordo com o seu alimento, ou seja, o que você quer que cresça dentro de si, se você alimentar com bons pensamentos, atitudes – não só palavras ditas, como fala o ditado popular da boca para fora. Além de pronuncia-las, os irmãos devem sentir, dar a oportunidade do crescimento, respeitar as vontades do teu próximo, mesmo que não sejam suas, saber que cada um tem o seu tempo de evolução, principalmente contribuir.

Todos estamos sempre prontos para aprender alguma coisa. Todos temos algo de bom a ofertar ao nosso próximo. Todos temos também que receber algo de bom do nosso próximo. Reflitam queridos irmãos alimentem o urso que vai ajudá-los a crescer.

ANA NERI

O que você pode fazer pelo mundo?

Posted in Uncategorized on julho 24, 2017 by Helen Ians

Um bom tema, bem iniciado, pelas palavras que acabaram de ouvir, para esta noite, é a dualidade – o bem, o mal, o próprio e o inapropriado, o bom senso e a ignorância, e assim vai. Sempre há um meio termo, sem dúvida alguma. Mas o meio termo não é bom para vocês. Ninguém pode ser mais ou menos bom. Ou mais ou menos razoável. Poder, pode; não deveria. Portanto é importante que se tenha a noção dos extremos, a possibilidade do intermediário, mas caminhar entre uma coisa e outra não deve ser como se estivesse à beira de um abismo em um atalho muito estreito. Exige-se de todos nos o equilíbrio sem duvida alguma, mas sem preocupação de escorregar aqui ou lá.

Uma coisa que tem sido dita há semanas e seguidamente é quem tem a certeza de si mesmo? Quem segue os seus princípios ou os parâmetros universais de conduta não deve estar preocupado com limites, embora tenhamos que ter limites, sim, em determinados momentos.

O que é o limite? É o ponto que eu não devo ultrapassar porque eu não saberia como lidar com o que está do outro lado. Seja de um lado ou de outro, seja um ponto ou outro. A noção do equilíbrio não é possível explicar a não ser pelo exercício, caminhando. Mas quando eu digo que a trilha não é estreita é que muitos de vocês caminham com medo de escorregar. Já levantam pela manhã com dúvidas a respeito de… Pior se fosse duvida haveria um objetivo… Às vezes levantam sem nenhum, e se deixam levar pela coisa constante, pela mesmice.

Caminhem, mesmo em uma trilha estreita, com a certeza do destino, do ponto onde querem chegar. E se tem medo da altura, do tombo, da queda, não olhem para baixo nem para os lados em determinadas circunstâncias, mas à frente. Enxergando seus passos, sem perder a noção da distância que tem que percorrer.

Sinto todos vocês, em excesso de momentos com angústia, com medo. De que? Um pouco de culpa alguns sentem por ter a noção de seus erros. Em vez de se sentirem culpados, façam um ato de contrição, mesmo sem parar de andar no caminho, pensem: errei, tropecei, caí, levantei, estou andando outra vez. Nao são vocês que tem que ter medo ou se sentirem culpados. Não vou citar quem deveria ter ou quem de fato é culpado. É só vocês olharem em volta para ver exemplos daquilo que não deve ser feito, daquilo que não pode ser aceito.

A aceitação é outro tema importante que eu gostaria que o conselho viesse discutir com vocês outro dia. Uma coisa é aceitar porque se entende, porque se percebe, porque se tem conhecimento. Aí, sim, a aceitação pode ser verdadeira. O que não se pode é aceitar uma realidade que ofende, agride, destrói. Aí, olhando para frente, seguindo na trilha, sem medo, dizer – eu não quero isso para mim, meu caminho é outro, meu objetivo é outro e quem decide sobre a minha vida sou eu. Nisto tudo quais são as qualidades, algumas até atributos, características com que nascemos? É preciso ter – fácil falar, difícil praticar – coragem, determinação e discernimento. Principalmente, discernimento. Não há ninguém corajoso de fato e com bons resultados na sua audácia em enfrentar o que quer que seja, se não sabe antes discernir. É como diz o guerreiro Peão, fraco abusado, que lança da espada, incompetente porque não discerniu porque não avaliou sua própria capacidade.

Capacitem-se, pois, à luta, à guerra, e como fazer isto? Não está nos livros nem nas telinhas, não está lá. O grande ensinamento está lá fora, mas não na multidão. Nos exemplos da própria natureza, na sequência das estações, na lógica perfeita das mudanças, das transformações. É este o livro, o veículo que vocês devem aprender a ler. Não só ler, mas aprender. E discernir.

Eu me sinto, em determinados momentos, como uma folha que cai da árvore no outono, levada longe de sua origem, a alguma terra distante e sobre ela cai, para ali se transformar, se for uma semente, ali plantar. São imensas as possiblidades de transformação a cada dia. Pensem nisso, encontrem um sentido da vida, não apenas se atormentem com aquilo que lhes ofende. Àquilo que lhes ofende, com razão, a melhor resposta é a sua conduta.

Quiséramos todos nós que vocês pensassem assim: a força do indivíduo, o significado do seu comportamento. Se vocês tem influência sobre outras pessoas, conversem com elas a este respeito. O que você – diga à outra pessoa – pode fazer pelo mundo? Ela vai se surpreender porque ninguém hoje em dia faz perguntas profundas, apenas bobagens. E ela vai te responder, seja o que for. Você dirá: nossa, se não sei fazer isso, nos dois juntos faríamos algo… Imagine a multiplicação disso. Isto é ter consciência de suas possibilidades, ouvir das possibilidades do outro, e se complementarem. Eu tenho visto, e triste, pessoas altamente capazes, incapazes todavia de doar-se no que quer que seja.  De lembrar de uma pessoa qualquer, comunicar-se com ela e perguntar: como vai você? Verdadeiramente. Mas não. É mais fácil ignorar, não é? E uma coisa eu tenho certeza, a ignorância, seja lá do que for, não leva a lugar algum.

Aprendam, reaprendam, com aquilo que vocês sabem e ensinem um pouquinho disso aos outros. Estendam a mão, de vez em quando faz bem – principalmente para quem pede. Às vezes, não com palavras, mas com o olhar triste. É isso. Recepção, primeiro, consciência logo após, discernimento e a escolha. Escolham.  Se não for bom, lá na frente mudem.  O que não pode acontecer é esperar. Que a escolha, a vocês escolha.

Tudo que eu peço é que tenham o mínimo de ação, como se fala muito aqui – um passo basta para sair do lugar. Ou voltar a este lugar quando queiram, com saudades, se for o caso.

Muito agradecido e honrado pela presença de entidades iluminadas nesta noite. Estou triste porque tenho visto vocês assim, amedrontados, acuados, fechados como uma pérola linda e perfeita, ainda na sua concha. Abram-se para o mundo, façam-se brilhar. Se precisarem de ajuda, na hora da angústia, do medo, da tristeza, chamem um de nós. Eu não vou aparecer assim, fazer poo! – mas peçam a presença aconchegante. Ouçam – vocês são capazes, já! -porque subiram degraus na espiritualidade – de nos ouvir, além daqui. Em qualquer cantinho, onde vocês estiverem consigo mesmos.  Em qualquer cantinho, em qualquer lugar, a qualquer hora.

PEDRA ALTA

Se tiver deixado algum rastro, volta e limpa.

Posted in Uncategorized on julho 24, 2017 by Helen Ians

poor house 2

Para quem não leu ainda o blog, é só acompanhar que já tem as mensagens da semana passada, mas para quem não acessou e não viu, vou fazer um resumo do que deixei na semana passada, que serve para todos aqui, onde cada um está no seu momento, no seu aprendizado, está olhando para dentro de si, onde cada um está perdendo ou está ganhando.

Eu contei a história do pistoleiro que vivia de roubar, assaltar, em uma montanha em um lugar distante. Cada viajante que passava era assaltado. É a forma como ele vivia. Era temido na aldeia deles, por todos. Sabia lutar, manusear uma faca. E assim fazia – quem passava, ele não perdoava: chegava, assaltava, levava as coisas e assim ia se mantendo, para poder se alimentar, para poder fazer isso, fazer aquilo. Uma bela feita, já fazia um tempo que não passava ninguém por aquela região da montanha. É claro que, por todo o assalto que tinha, as pessoas já não passavam por lá.

Passado um tempo, o pistoleiro já sem nada, suas moedas estavam ficando escassas até que ele viu um sujeito vindo de longe, sozinho, desavisado de tudo, caminhando como se nada estivesse acontecendo. Até que ele chegou próximo à montanha de onde o pistoleiro ficava atrás e o pistoleiro deu um salto da montanha, com a faca em punho. Assim que ele encostou os dois pés no chão, ele travou, sua mão ficou para cima. O viajante nem deu bola, continuou andando. Ele ficou paralisado naquele momento e começou a pedir ajuda, pedir socorro: moço me ajuda aqui, como é que ou fazer minhas coisas, não estou conseguindo nem me mexer.

O viajante que na verdade era um sábio, era um mestre, parou, olhou para trás, viu o sujeito naquela posição e disse: olha moço, estou imaginando aqui se você não tivesse ficado aí deste sujeito, como é que eu estaria? Mas vou te ajudar.

Caminhou até o pistoleiro e nele tocou, e o pistoleiro voltou a se mexer.  O pistoleiro agradeceu e achou estranho tudo que estava acontecendo quando o mestre disse: eu vou para aquelas bandas ali, se quiser me acompanhar, vamos. O pistoleiro sem nada a perder, já estava naquela situação, pensou: quer saber, eu vou junto.

Nestas caminhadas que foram feitas, por muito tempo o mestre passou parte dos ensinamentos para ele. Ele ia caminhando, escutando, cada vez mais se iluminando, ia gostando. Assim foi feito por um bom tempo. Até que numa encruzilhada, o mestre olha para ele e fala: moço, você já aprendeu o que tinha que aprender, já está sabendo de muita coisa que te ensinei; eu vou seguir por este caminho aqui, só que vou sozinho.

O pistoleiro sem entender nada, disse: fala uma coisa, por que você me ajudou tanto, me contou várias historias, me mostrou como é que é a vida, me mostrou o que tinha que ser feito, da bondade e isso e aquilo, para eu me transformar, me iluminar, encontrar a mim mesmo, se eu sou um pistoleiro, eu não passo de um saqueador, eu não passo de um esfaqueador, e você está me ajudando? Fico imaginando como é que vai ser se eu tenho tudo isto nas costas. Olha o rastro de coisas que deixei.

O mestre disse: moço o seu caminho é livre e o destino está traçado. Mas o destino é flexível, vai depender de sua conduta, da forma como você vai caminhar, daquilo que você vai fazer e as coisas podem mudar. A coisa não é tão rígida e dura como você está achando que é, porque cabe a você resolver e decidir aquilo que você quer. Você pode voltar para aquela aldeia sua, pregar a bondade, ou ajudar quem precisa, levar os ensinamentos todos só que não se esqueça de uma coisa, e aí nos vamos fazer um trato. Primeiro, você vai passar por tudo isso, só que não esqueça que você vai ser humilhado, você vai ser penalizado, as pessoas vão te virar a cara porque já sabe quem você é, o que você fez, e se você aguentar de forma serena, convicta do que estiver fazendo, lá para frente a gente volta a se encontrar, e eu passo o resto dos ensinamentos para você. Está feito? Ele disse sim. Um foi para um lado, o outro foi para o outro.

Como disse o mestre, ele foi hostilizado, chicoteado, rasgaram a roupa dele, bateram nele, mas ele aguentou firme. Foi caminhando, caminhando, até que chegou a um ponto em que ele estava próximo da montanha onde fazia os assaltos. Ficou refletindo em seu caminho, não via o seu mestre por décadas, e pensou: pelo menos até aqui estou fazendo o caminho certo, como o mestre manda.

Neste momento, ele escutou aos berros, uma moça vindo em sua direção, já com as roupas rasgadas, em prantos e viu um jovem bandido correndo atrás dela. Ele partiu para cima para salvar a moça, entraram em luta corpora, o bandidoe manuseava como ninguém uma faca, e por infelicidade, a faca crava no peito do jovem bandido.

O moço fica lá caído; o pistoleiro que já não estava acreditando no que acontecera, e embora tivesse salvado a moça mas não se conformava: como eu fui fazer um negócio destes, se eu caminhei até agora, há anos, praticando o bem, levando a palavra, como o mestre disse e, agora, fui fazer isso. Alguma explicação eu tenho que ter de qualquer jeito.

Ele não se conformava, pegou o jovem no braço, saiu caminhando para dentro da floresta. Cada vez que ele adentrava a floresta, se perguntava por que foi acontecer aquilo, até que ele viu clarão. Na hora que ele olhou o clarão, era o mestre. Olá, meu filho, eu já estava esperando você já faz tempo. Como é que você está, pelo que estou vendo, você está bem, está forte, levou a palavra certa, fez o certo.

O pistoleiro não estava entendendo nada: mestre você não está vendo que eu acabei de matar este moço agora? O mestre olhando no olho dele, com um sorriso, disse: sim, eu estou vendo que você matou um sujeito.

Neste momento, o pistoleiro olhou nos seus braços e viu que era ele mesmo que estava em seus braços. Naquele momento, ele matara tudo aquilo que ele tinha deixado para trás – pelo feito, pela serenidade, pela paz, pelo entendimento do que o mestre passara para ele há tanto tempo. Foi dada uma nova oportunidade a ele que por tanto tampo aguardava o mestre para que ele lhe passasse o resto dos ensinamentos.

Como eu disse, na semana passada, quantos aqui, do mesmo jeito, caminharam e deixaram seus rastros, quantos escutaram as lições deixadas aqui na casa: olha, cuidado com a energia ruim, cuidado com isso, cuidado com aquilo. Só que às vezes parece que dá a impressão que é sempre com os outros. Alguns acordaram e outros não. Aqueles que acordaram, fizeram um bom caminho, conquistaram e preencheram o seu espírito com o seu sonho. Aqueles que não tombaram, caíram, e estão lutando. Ou não. Ou continuam deixando rastro, que é o que eu vejo.

Para ilustrar esta história – como eu tinha comentado que é mais fácil ilustrar as coisas, eu vou hoje ilustrar a história da história, para vocês entenderem os dois caminhos. Como eu trabalho com os dois caminhos, é o que vamos fazer hoje. Que também serve aqui para todos e eu quero que prestem atenção.

Em um lugar afastado, há muito tempo atrás, também numa aldeia, num vilarejo, existia um mestre, também sábio, que conseguia prever o futuro. Ele tinha uma vidência assim como ninguém. Na linha indígena, era como se fosse um xamã. Tinha uma visão longa, previa o futuro, tinha um dom e não errava nunca, era um velho, um idoso sábio. O idoso para quem não sabe é aquele com quem você pode sentar, conversar e aprender. O velho é aquele que não presta, é o malandro com quem você não aprende nada. Eis a diferença.

Por muitas vezes, até pela idade dele, estava na tapera dele, quieto, e a turma começava a chegar para ele prever as coisas e, ele, por educação, falava isto e aquilo, para um e para outro. Só que chegou um momento em que ele não aguentava mais, não conseguia mais fazer as coisas dele. E ele então falou: vou pegar minhas coisas e vou embora.

Ele adentrou a floresta e sumiu. Só que não adianta, quando a turma quer as coisas, para alguns não há limite e conseguiram achá-lo, morando dentro da selva. Para muitos, o milagre ou a conquista basta prever, basta alguém dizer e a pessoa fica quieta e não faz mais nada e fica esperando. Só que, ao esperar, ninguém conquista nada. Se não derem o passo hoje no presente, o seu futuro está condenado. Se você não der o passo, nada acontece.

Ele pegou de novo a tralha dele e foi mais fundo, ainda para mais longe. Tendo passado anos e anos em que ele já estava lá, já ninguém mais na aldeia conseguia encontrar o pobre coitado que não tinha sossego. Hoje ele encontrara a paz dele, sozinho lá na floresta. Lá na aldeia: cadê o vidente? Deve ter morrido.

Até que duas crianças – para o sábio, pela idade avançada, eles eram crianças – vão para a mata, entrando atrás da caça, e vão entrando, entrando na floresta, até que percebem que não iriam conseguir caçar nada,. Um olha para a cara do outro e diz: e agora, a gente está perdido, não sabemos voltar, estamos no meio da floresta. Se a gente voltar, vai escurecer e é perigoso, na floresta com tanto animal selvagem é perigoso. Vamos andar mais um pouco para ver se há uma saída. Até que lá no fundo viram um clarão. Ah! É a salvação. Ficar nesta escuridão não vai dar não. Caminharam até a tapera e quem estava lá era o mestre que olhou os dois jovens e disse: só me faltava esta agora, conseguiram me achar. Só que os dois jovens não lembravam direito de quem ele era. Já fazia anos que o vidente tinha saído da aldeia e, embora tivessem escutado sobre ele, não lembravam muito dele. Neste local, aquele que bate na parte do outro, é sempre bem tratado. Os dois jovens, apavorados, quando o mestre os convida a entrar. Que aconteceu?

– Saimos para caçar e nos perdemos.

– Claro, vocês fiquem à vontade, pode comer, beber, e eu vou arrumar um lugar para vocês dormirem.

No dia seguinte os dois acordaram, já com um plano infalível, é claro: já que amanheceu a gente não vai embora sem perguntar nada para ele.

A gente agradece o que você fez, mas não podemos ir embora, e você podia falar algumas coisas para a gente do que vai acontecer.

O mestre disse – eu já não faço isto faz tempo e quero ficar aqui no meu canto. Um deles, arrojado, disse: você está sendo egoísta. O mestre acabou concordando e disse: você aí vai se tornar dentro de um ano um grande rei. E você que está aí – disse, olhando para o outro – você estará morto daqui um ano. Vocês pediram para eu falar.

Os dois, com a resposta do mestre, saíram meio desnorteados, um ia virar rei e o outro iria morrer em um ano. Voltaram para a aldeia onde contaram que tinham visto o mestre, e que um iria virar rei e o outro morrer, em um ano. Todos acreditaram porque, depois de todo este tempo passado, o mestre nunca tinha falhado. O que iria se tornar um rei começou a caminhar pelo vilarejo maltratando todo mundo, apontando o dedo para todo mundo dizendo: você, na hora em que eu for rei, você vai sair daqui, você eu vou mandar enforcar… Já começou a botar o plano infalível dele de rei.

O outro, que iria morrer em um ano, falou: só tenho mais um ano, vou começar a ajudar todo mundo, pelo menos meu espirito vai em paz. Começou a se transformar, a se iluminar, ele se encostou em gente sábia para pegar cada vez mais a sabedoria, se transformar e melhorar. O outro com sua arrogância, com sua petulância só fazia besteira.

Passou um ano, um ano e um mês, um ano e dois meses e nada de um morrer ou do outro virar rei. Falavam: não é possível que bem agora o vidente fosse errar. O que iria morrer em um ano estava muito feliz e falou: melhor deixar quieto. O que ia virar rei disse que alguma coisa estava errada, e que teriam que entrar na mata de novo para ver com ele o que aconteceu. Por que foi errar agora? O outro falou: eu não tenho nada a perder, vou com você.

E os dois, de novo na mata, encontraram o clarão, bateram lá na tapera do sábio que ainda estava lá e na hora em que ele os viu, disse: eu não estou acreditando que estou vendo vocês dois aqui de novo.  Que aconteceu?

Você errou naquilo que você disse – Você está lembrado? Voltamos para ver o que aconteceu porque tem alguma coisa errada. Eu iria virar rei e o meu amigo aqui ia morrer. E nada aconteceu. Eu não virei rei e ele não morreu.

O sábio: vocês dois, façam a meia volta, pensem e amanhã vocês voltam para cá.

Os dois voltaram para o vilarejo, morrendo de medo, e no dia seguinte fizeram o mesmo caminho e em vez de ir à tarde, foram de manhã, cortaram a floresta novamente, até que aquele que iria virar rei encontra um saco de moeda em cima de uma arvore. Sem querer, bateu o olho, subiu e era um saco de moeda.

Ele diz: se o vidente mandou a gente voltar e depois voltar para cá de novo, isso deve ser um sinal, o saco de moeda. É o começo de eu me tornar um rei.

O outro, já que iria morrer mesmo, nem chegou a avançar no saco de moeda, e disse: já que eu vou morrer mesmo, deixa o saco de moeda para o rei.

Nisso, eles escutam um barulho na sua direção, e quem viu foi o que ia morrer, que estava mais atrás. Viu um bandido vindo em direção ao saco da moeda. Ele havia roubado e vinha seco para pegar a moeda. O outro pulou nele antes e conseguiu fazer com que o bandido fosse embora, só que antes do bandido ir embora, ele fez um corte próximo ao peito do sujeito, do menino que iria morrer. O menino viu que o corte não era fundo, pegou um pedaço de pano e estancou o sangue e os dois seguiram caminho até a tapera do vidente.

Chegaram lá e disseram: você mandou voltar, a gente voltou, só que novamente eu vou comentar – você errou e a gente quer saber por que.

O outro não se conformava de jeito nenhum.

Como que eu errei, é claro que eu não errei. Vocês pensaram?

A gente não sabia o que pensar.

Eu deixei claro para vocês que o destino é traçado, mas ele não é tão duro e inflexível com vocês acham que ele é. As coisas podem mudar. É isso que vocês não entenderam. Você julgava que se tornaria um rei, e pegou um caminho errado. Você foi arrogante petulante, destratou, apontou o dedo para quem te queria o bem, você fez isso, fez aquilo, já dando ordem de forma errada sobre o que iria acontecer e a sua penitência foi justamente você não se tornar rei, o que te restou foi este saco de moeda. Você teria um caminho de rei, com tudo, feliz, onde você se tornaria um rei querido por todos, e preencheria o seu sonho. O que restou foi este saco de moeda. E você que teria um carma ruim, iria morrer e durar só um ano, você teve um perdão e apenas um corte superficial. Como você, neste tempo todo esperando a morte, se transformou, escutou, buscou ensinamento, buscou lição, buscou se transformar e levar a palavra, o destino e a vida te perdoaram. E você, que quando saiu daqui já começou a fazer planos, olha o que te restou, pelo caminho errado que teve. Contente-se.

Os dois saíram da tapera que nunca mais conseguiram achar de novo.

Um já condenado, se transformou, escutou e buscou o caminho e foi perdoado, um com carma bom, outro com o carma ruim. O com carma bom se tornaria o rei, aprendeu a lição e ficou com apenas um saco de moeda. O outro com carma ruim foi perdoado, e teve o seu caminho modificado pelo sagrado.

A ilustração é a melhor forma de mostrar como muitos fazem com o seu caminho. Como é dito, sim, o destino está traçado, assim como diz meu povo cigano, dentro da magia sagrada, dentro da dança, dentro da música – o destino está traçado para todos, só que o caminho é hoje. Hoje tem que ser feito da forma certa, plantar da forma certa e colher amanhã.

Por isso todas estas histórias. Tanto é falado aqui: põe um escudo à sua volta, manda a energia ruim embora, cuidado com isso, cuidado com aquilo, é o preço que se paga. E aqueles que fazem o certo, se transformam , dão o passo, conseguem, conquistam, preenchem seu espírito com o sonho, com aquilo que realmente vieram buscar nesta passagem. Sempre há tempo na sua busca. Agora, o continuar buscando e o continuar errando por bobagem, a energia fica cada vez mais longe.

Se estiver fazendo a coisa certa, mesmo fazendo a coisa certa, olha um pouquinho para trás e veja se não deixou nenhum rastro. Se deixou, limpa. Limpa aquilo que incomoda a energia, aquilo que incomoda o seu caminho, limpa aquilo que você já sabe que vai incomodar porque é certeza que incomoda e que a distância entre o que você busca e o seu sonho se torna cada vez mais longe.

Por isso, da importância aqui, se todos estão realmente buscando uma transformação dentro, unificado dentro da sua verdade e seu sonho, que lutem, que busquem. E a todos aqui como eu já disse: a consciência nasce pelo contraste, a pessoa às vezes tem que ter um baque para ver o que perdeu. Tudo como é dito – a consciência se dá através do contraste.

E tudo é feito para que vocês entendam este caminho, como dito aqui, caminho sagrado, caminho do Grande Espírito, da Santa Luzia, do meu fogo cigano, da magia sagrada, onde tudo é unificado, tudo se une para que as coisas se completem. Não adianta uma energia trabalhada no caminho de um e a pessoa tem um tipo do comportamento errado. Ou o comportamento certo. Por isso é que é dito aqui que a energia se movimentou, a energia tomou conta, a corrente manipulou certas coisas para ajudar e a pessoa fez o certo. O contrário já cai na tristeza, pois a pessoa não conseguiu enxergar, detectar. Continua querendo a sua conquista, só que continua com certas bobagens no caminho.

Quando o povo cigano se reúne na lua cheia para dançar, escutar a música, unificado naquele momento sagrado do encontro com si mesmo, suavemente, seu espirito tem que estar puro, se não você é só mais um em volta da fogueira, se não você é só mais um dançando, só mais um  querendo.

Lembrem-se destes dois caminhos, daquele que tinha o carma bom e transformou em energia péssima e perdeu, e apenas o que restou a ele foi o saquinho com a moeda que logo acabaria. E o outro que tinha o carma ruim, conquistou a vida, conquistou o seu caminho, se transformando em um grande mestre porque deu o passo da forma certa. O que ia deixando era o sagrado do sagrado, o que ia deixando era a unificação de seu encontro com alago maior.

Pensem, reflitam sobre tudo que foi deixado aqui nesta noite e a pergunta que fica é: o que eu quero com meu caminho? Se querem, lutem da forma certa, mas o lutar não é apenas um ponto de interrogação nas perguntas. É caminhar na forma certa. Não adianta como na história da máscara, aonde quanto mais você vai batendo mais você vai achando. Não adianta caminhar da forma errada e depois chegar à fogueira querer sentar e querer sentir todo o sagrado da magia cigana. A energia sabe. O cigano sabe. Não resolve, não adianta. Que assim seja!

(Vai para Andaluzia, general? A energia é boa.)

Boa-noite a todos, que a Santa Luzia abençoe a cada um de você aqui, que todos busquem o seu caminho, seus sonhos, lutem por aquilo que querem, não se esqueçam desta caminhada que é o mais importante pra nós, ciganos: daquilo que você plantou hoje e daquilo que você quer, de hoje até a fogueira, onde o caminho pode ser longo ou curto. Mas caminhem da forma certa e ao chegarem vão sentir toda a energia sagrada e tudo aquilo que a corrente deseja a vocês.

Como era feito na casa branca, o sino tocava e se escutava de longe, pela mata entrava, pela mata ecoava. Pai nosso…

PEÃO

Abertura.

Posted in Uncategorized on julho 15, 2017 by Helen Ians

Que os guerreiros sejam bem vindos à Casa de Luz e aproveitem este momento de paz e tranquilidade, para que coloquem energia nova dentro de si, no seu caminho, para que caminhem tranquilos, alegres, em paz, no caminho evolutivo sagrado do Grande Espírito. É importante que os guerreiros, todas as luas, lembrem que não caminham sozinhos. Existe uma grande corrente acompanhando a todos, mas que os guerreiros também não se esqueçam do compromisso, aqui na Terra, com si mesmo, com seu caminho sagrado. Com aquilo que os guerreiros vão colocar dentro de si alimentando como sonho, se unificando com o sagrado, com seu espirito, com sua alma, se tornando um para que a cada lua, a cada passo, todos juntos vençamos lua a lua. Primeiro, o vencer a si mesmo, e aquele guerreiro que vencer a si mesmo estará preparado para enfrentar qualquer guerreiro que encontrar pela frente.

Enquanto é feita a limpeza não só aqui na Casa de Luz, mas também na casa dos guerreiros e por onde os irmãos costumam passar ou até mesmo ficar, Cacique pede que concentrem nas mensagens deixadas para que depois os guerreiros reflitam sobre aquilo que escutaram.

NUVEM VERMELHA

Palestras 10/07/2017

Buscar equilíbrio e sustentação para estar preparado para o que vier.

Posted in Oração with tags on julho 15, 2017 by Helen Ians

estar em oração

Gostaria de relembrar aos queridos irmãos, nesta noite, que a Casa do Pai tem várias moradas. Não importa se durante o caminhar de cada um de vós, vocês conheçam, entrem, digamos, assim, nestas diversas casas. O mais importante queridos irmãos é o que elas têm em comum – o ensinamento, a valorização do crescimento espiritual, as palavras que trazem em si a paz, a justiça de Deus, a misericórdia, o perdão, e a fé.

Não existe uma melhor, outra pior. O que vocês devem buscar, como já dito pelo nosso irmão Cacique, é a sua evolução; buscar o seu caminho, o seu equilíbrio, a sua sustentação, para que assim tornando-se fortes, vocês possam estar preparados para o que vier.

Sempre há tempo para aprender e sempre há tempo para recomeçar. O que importa é a sua predisposição para aprender, ouvir, aceitar, praticar a sua fé, rezar do jeito que você souber.

O mais importante é a oração que vem do seu coração. E lembrai-vos, queridos irmãos, não estão sós. Agradeço a oportunidade de estar mais uma vez nesta Casa de Luz e peço a Deus que abençoe a todos.

ANA NERI

Conversar com o que está acima.

Posted in Uncategorized with tags , on julho 15, 2017 by Helen Ians

cachoeira

Concordo plenamente com o que acaba de ser aqui bem dito. Existe o sagrado e o profano. Profano não é bem aquilo que as pessoas às vezes imaginam ser, o que é ruim, mas é aquilo que está fora dos templos. Como diz a nobre senhora: não importa onde vocês vão buscar a espiritualidade em termos de princípios religiosos ou crenças mais ou menos difundidas entre vocês.

Realmente não importa a grandiosidade de uma, como vocês chamam, Catedral. Sem dúvida a beleza e o ambiente podem influenciar um pouco para que você se sinta diferente do que é a correria lá fora. Este é um culto templário, todavia os templos, e por isso eu falo profanos – aquilo que é fora deles, estão em qualquer lugar. Esta mesma grandiosidade vocês podem encontrar em uma floresta, em um belo jardim, ou junto ao mar. Ou nas montanhas, que importa o lugar? É para que vocês entendam de uma vez por todas, que a paz não está fora, que a crença, a fé, não está no lugar, ou qualquer lugar. Está lá dentro de você.

Concordo também que muitas vezes, por atribulações de uma cidade agitada por muitos acontecimentos seguidos com alguns de vocês, ou todos já sentiram isto, é difícil parar embora não para se lastimar ou se entristecer ou ter qualquer outro tipo de sentimento negativo. Mas respirar fundo e pensar – eu estou vivo, eu continuo, eu tenho força porque eu acredito nisso. E o que é acreditar nisso? Deem o nome que quiserem a isso, mas entrem em sintonia com isso que vocês deram o nome. Várias vezes já dissemos aqui – como foi citado o nome de Deus – quantos nomes, quantas casas e quantos nomes tem Deus, não é? Apenas respeitem aqueles que chamam assim ou de outra forma, aqueles que vão ao templo, e aqueles que não vão, estão fora dos templos, são profanos neste sentido. Se alguém não entender, procure a origem da palavra profano. Mas o sagrado sempre vai existir. Basta sentir dentro do templo ou fora dele. Em qualquer tipo de templo e em qualquer lugar fora dele. Observem a história da humanidade e vejam as diferentes culturas. Alguns templos belíssimos, erigidos aos deuses, ou a um deles, ou ao maior deles, segundo as crenças então – e outras que não tem nada construído para este fim, mas a fé, as crenças, a religiosidade, junto a tudo isso a espiritualidade que pode sair de tudo isso, existe – sempre existirá.

Que bom que as pessoas discutissem isto ou aquilo, relacionado à fé, à espiritualidade. Este é o exercício que fazemos aqui – todos nós juntos há quantos anos, há quanto tempo, não é? Refletir, conversarmos a respeito daquilo que está acima, muito além do que é simplesmente material. Portanto, se não querem sair para ir a algum lugar, de culto, cultuem a sua espiritualidade em qualquer lugar. O melhor lugar é lá dentro. Fora disso, naquele ambiente em que vocês estão em paz. Se não estão em paz, façam-se ficar em paz, pensando, sentindo, observando, ouvindo, em todos os sentidos, esta paz.

Se estão muito agitados – não duvido que estejam neste mundo em que vocês vivem hoje de tanto barulho e ruído – afastem-se um pouco de tudo isso às vezes, por instantes que seja. Faça uma oração. É também linda a diversidade das orações, que sempre os homens fizeram em toda a história da humanidade. Conversar com o Além, com o que está acima.

Modernamente, não há tantos ritos, esta Casa é um exemplo – não se pede nada, não se acende nada, não se faz nada, além desta conversa em círculo entre nós. Existem planos, sem dúvida; existem níveis de evolução, sem dúvida alguma; todavia percebam que em determinados momentos estamos todos juntos, aqui. Cada um de vocês pode elevar-se pela espiritualidade, e todos, todos os níveis, todos os degraus, podem por instantes, se abaixarem não ao rés do chão, mas no nível em que flutue uma excelente, limpa, clara, brilhante energia. Isto é possível e vocês podem fazer isso quando quiserem.

Quando se sentirem atormentados, perseguidos, maltratados, seja lá o que for, que possam sentir como ameaça. Parem um pouco. Vistam uma armadura de luz e prossigam. E passam, estas sensações ruins passam. Os erros que eventualmente cometem, reflitam sobre eles e façam um momento de contrição. Ou seja: errei, não gostaria de repetir o erro. Ao contrário, quando tiverem uma sensação de que fizeram algo muito bom para vocês mesmos ou para outras pessoas, façam outro ato de contrição: acertei e quero repetir o meu acerto. No balanço de tudo isso, ao final de tudo isso, o resumo, a análise de ganhos e perdas. Podem ter certeza de que se fizerem isso de coração, sempre, sempre, os ganhos vão brilhar e os desacertos, os desenganos, as injustiças, seus erros, ficarão esquecidos porque vocês já subiram um degrau. Aquilo foi para baixo.

Eu costumava ouvir aqui nesta Terra um conselho destes médicos que se dizem psicólogos, erradamente – porque psicologia, no meu entender, é um estudo da alma. Vão lá ver a origem da palavra, o sentido.

Tem uma coisa que eles repetem não sei se como papagaio, ao final do dia, ou ao inicio de um, quando vocês fazem suas abluções, seus banhos nestas casas modernas que vocês têm, aquela coisa como se fosse uma cachoeira falsa. Entrem de cabeça nesta coisa como se fosse uma cachoeira mesmo, pois na verdade pode ser, e deixem sair pelo ralo, lavar-se em todos os sentidos. Aí tudo vai por este ralo. Espero sinceramente que se lavem assim. Aí está a conjunção matéria – espirito, e uma cerimônia, um rito sagrado de lavagem. Aquilo que se impregna na matéria, que sai com a bendita água, e aquilo que se impregna lá dentro de vocês, aqueles sentimentos pequenos, joga tudo fora. Que maravilha, a cada dia podermos estar limpos de novo!

O que passou é passado e o futuro é presente porque a cada instante em que vocês agem nesta direção de ascensão, vocês já estão vivendo o seu futuro. Simples, assim, se sentirem isto profundamente. Bastará.

Quero todo mundo limpinho por dentro e por fora. Quem costuma fazer suas abluções à noite, comece esta noite. Não deixe para depois. O futuro é hoje, agora.

Era isso: uma mensagem simples, prática, objetiva – eu espero. Exatamente na linha que foi iniciada pela grande senhora. Muito agradecido, senhor, a todos os membros do Conselho, às égides presentes. A todos, uma semana “limpinha” para vocês.

PEDRA ALTA