Qual a minha melhor parte?

carvalhoCada guerreiro é único. De tudo que foi bem dito, vamos nos ater a esta máxima. E eu explico o porquê. Quando eu era um menininho, e faz muito tempo, muito arteiro como vocês dizem, eu não conseguia parar quieto. Vou confessar um segredo a vocês – hoje eu vejo, embora a noção de tempo nesta dimensão seja diferente da de vocês. Sabe por que eu, arteiro que era, não conseguia ficar parado nem um minuto? Porque eu tinha medo de criar raiz. Eu olhava aquelas árvores enormes, honrava tanta beleza, olhava para cima, mas menino arteiro que era, dizia para elas (e depois saia correndo para não cair um galho em minha cabeça) e, dizia: você é muito linda, mas, bem feito, eu posso sair de onde for e você fica aí, parada. E saia correndo porque tinha medo. Por que digo siso? Porque mais do que nunca esta consciência de ser guerreiro único é fundamental para a reconstrução. Tem razão o Grande Cacique que o mundo não precisa de paz, mas precisamos cada um de nós, little native americana paz interior, e da certeza de si mesmo como único.

Não levem isto para o lado do ego. Mas pelo contrário, pela divina capacidade de compartilhar-se, ou seja, de se doar. Porque se eu sou único, você precisa de um pouco de mim, não “eu” – eu digo em geral.  São estas pequenas partes de cada um que compõem o todo. Que podem compor um todo melhor. Se cada parte de cada um for de si mesmo a melhor parte.

Continuo com horror de criar raízes porque a minha parte tem que caminhar, tem que se encontrar com outras partes, para compor. E qual é a minha melhor parte? Pensem comigo a seu próprio respeito: Qual minha melhor parte? Muitas vezes a melhor parte se perdeu lá para trás, exatamente no tempo em que éramos ou eram vocês, pequenininhos. E que diziam às árvores com a mão na cintura: bem feito, você não sai daí. Onde está esta deliciosa ousadia? Onde vocês a deixaram, lá para trás? E hoje vivem com medo que o galho caia na sua cabeça. Mesmo não tendo ofendido a árvore porque já não veem a árvore. Até porque muitas já nem existem mesmo. Estão me acompanhando?
Não é um raciocínio logico. É um raciocínio vivo. Talvez nem seja raciocínio, não é matemático? (falando com um participante). É um sentimento.

Então eu sugiro que neste novo ano, a máxima seja esta que já foi bem dita – cada guerreiro é um – e se é possível se aconselhar alguém sobre alguma coisa, procurem movimento, procurem perceber-se assim com este valor. E prestem muita atenção: sempre dizemos, eu particularmente digo, para que não se atenham ao que já passou, para que não anseiem pelo que virá, mas que vivam o presente. Mas neste ano, especialmente, eu peço a vocês que vão buscar ali atrás aquela ousadia que deixaram lá e tragam para o presente, sem projetar futuro. Coisas simples e prazerosas, aquilo que vocês faziam que preenchia tanto e que completava tanto, e que vocês deixaram para trás, exatamente pelo que já foi bem dito, pelo ruído, pelo movimento excessivo e barulhento em que vocês vivem.

Lá vão eles (barulho de aviões) sabe Deus pra onde. Não é deste movimento que falo. É do movimento silencioso e inteligente. É do movimento harmonioso, alegre, como o da dança.

Vocês se esqueceram de dançar. Vocês perderam algo que deve ser resgatado que é a curiosidade de conhecer, de viajar, em todos os sentidos eu digo viajar. Porque a alma viaja e conhece e se relaciona, mas vocês fazem questão de trancá-la, parados, às vezes imponentes como árvores, enormes, mas cheios de raízes profundas que não lhes permitem avançar. Entenderam o que eu disse? Até eu aqui estou prendendo para exemplificar.

(dirigindo-se a um participante) Pode ofender a árvore, mas sai correndo porque pode cair um galho. E é assim que deve ser o caminho neste ano. Lembrar-se daquilo que lhe dá prazer e às vezes são coisas tão simples que independem do ouro, não custa nada para ninguém. Voltar a fazer o que sempre fez tão bem feito, o que faz falta para o outro. Se vocês sabem dançar, dancem. E não se importem que achem vocês estranhos. É preferível achar alguém estranho dançando do que uma árvore cheia de raízes, imponente e imóvel. Se vocês escrevem, escrevam. Deixem sua marca. Se vocês falam bem, discursem, ousem, sem medo de dizer por esta maneira e assim sucessivamente em cada ofício, em cada trabalho, em cada ação, contribua, dê um pouquinho de você, do seu melhor. Só assim haverá a revolução, ou melhor, a revolução se concretizará. A revolução é uma volta completa, no caso aqui estão procurando o rabo e não a volta. A volta realmente completa da revolução que volta em um ponto perdido lá atrás e que continua a procurar outro ponto melhor.

Vocês voltaram descansados, cabeças abertas para ouvir. Não que todas estas palavras aqui sejam a verdade. A verdade é a de cada um de vocês, mas nos humildemente achamos que podemos sacudir, alertar, contribuir. E agradecemos profundamente tudo aquilo que vocês nos passam – vocês não podem imaginar. Aqueles que já frequentavam a Casa, aqueles que vêm pela primeira vez, trazem para nós muito conhecimento, muita ternura, muito respeito. E são estas coisas que nos fazem prosseguir e que juntos possamos conseguir ainda mais, resgatando o melhor, centrando-se no presente. Feliz tudo novo para todos. Que Deus os abençoe meus filhos.

PEDRA ALTA

MENSAGEM DE CACIQUE

Guerreiro xamã Pedra Alta, Cacique agradece pelas palavras, pela energia, pela visão longa em mostrar caminho aos guerreiros aqui da Casa de L.uz Que o guerreiro tenha boa volta e que o Grande Espírito abençoe o guerreiro.

Guerreira Cabocla, Cacique agradece pela energia, pela força da guerreira, pela luta da guerreira em forma de limpeza, como os guerreiros falam – em forma de coluna em um trabalho feito em harmonia com a sua médium. Cacique agradece à guerreira e a todos os seus guerreiros.

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