Eu sei quem eu sou e sei até onde posso ir. Não preciso mostrar aos outros e nem para mim o que eu sou.

INDIAN AND MOUNTAINPara encerrar a lua da noite, dos trabalhos, Cacique conta a história de um cacique velho que, ao dormir, pediu orientação ao Grande Espírito para que tivesse visão de quem poderia ficar em seu lugar. Só que o guerreiro já tinha um guerreiro escolhido que ficaria no seu lugar, um guerreiro forte, com visão longa da grande águia, um guerreiro equilibrado, um guerreiro corajoso de guerra, mas que ao mesmo tempo se preocupava acima de tudo com a sua tribo, com a sua aldeia.

Não conseguia apenas olhar para si mesmo, mas olhava toda a aldeia como um todo. Na cabeça do grande chefe, guerreiro já era o escolhido, mas pediu visão e deitou e disse, ao agradecer ao Grande Espírito por mais uma lua, que lhe desse esta visão se estava no caminho certo, se era o guerreiro mesmo que ficaria em seu lugar.

Quando o guerreiro acordou no dia seguinte, comentou com sua companheira, que achava que estava errado quando na sua mente onde escolheu o guerreiro. E a guerreira perguntou: por que fala isso? Ele disse: Pedi visão para o Grande Espírito e o Grande Espírito deu visão. Falou para Cacique reunir todos os guerreiros que pretendiam ficar no meu lugar, sairiam de um ponto, subiriam a montanha sagrada, e o primeiro guerreiro que chegasse, seria o guerreiro escolhido.

Assim foi espalhado em todas as aldeias e, na lua do dia, todos os guerreiros reunidos – muitos vindo de longe porque a oportunidade era boa e muitos queriam ficar no lugar do grande chefe. Assim foi lançada a grande flecha, e os guerreiros saíram correndo. Encontrava-se todo tipo de guerreiro, guerreiros mais novos, que poderiam, sim, participar, guerreiros mais velhos, todos. Assim como disse Grande Espírito, Grande Luz, no encontro que o guerreiro teve no sonho, porque fez pergunta e a resposta foi “pode ser qualquer guerreiro”.

Os guerreiros começaram, saíram correndo e, depois de algumas horas, chegaram à montanha sagrada – tanto o grande chefe quanto alguns guerreiros. Os xamãs da aldeia já estavam do outro lado da montanha para saber que guerreiro chegaria primeiro. Os guerreiros correndo, subindo montanha, fazendo esforço para subir montanha. Depois de algumas horas, começam a chegar. Chegou o primeiro, chegou o outro, chegou o outro e, assim por diante, horas e horas passando porque montanha sagrada muito alta e muito difícil para fazer subida, mais difícil para fazer descida. Levava horas para fazer subida e horas para fazer descida. Alguns caíram na metade, alguns desistiram, e assim era feito. Os guerreiros começavam a chegar.

Nisso, o grande guerreiro chefe diz para grande xamã da tribo: Onde está o guerreiro Pássaro Forte que eu pensei que fosse o primeiro a chegar? Onde será que está o guerreiro? Guerreiro tem todas as qualidades para ficar no meu lugar. Tem visão longa, corajoso, sabe fazer guerra, sempre preocupado com os guerreiros da aldeia, ajudando, sempre tendo palavra boa para deixar para os guerreiros com o espírito aflito. Grande xamã apenas olhou para o guerreiro e não disse nada, também achando estranho porque todos tinham certeza de que o guerreiro seria o primeiro a chegar.

Depois de algumas horas, nada. Aqueles que conseguiram fazer subida, e descida, chegando, e o grande chefe inconformado, resolve fazer, com mais alguns guerreiros, o caminho inverso, com dificuldade, pela idade. Os guerreiros mais novos ajudando. Quando encontraram o guerreiro Pássaro Forte, pássaro corajoso, no topo da montanha, viram o guerreiro de costas e viram que o guerreiro estava ajudando aqueles que não conseguiam subir, aqueles que caíam. Guerreiro descia até a metade, ajudava a subir, voltava e depois voltava de novo, ajudando os mais novos e os mais velhos. Aproximou-se do guerreiro: És o grande guerreiro, mas grande chefe não entende. Por que não chegou primeiro para fica no lugar de cacique?

Grande guerreiro olhou para grande xamã e para os guerreiros e disse: grande chefe, grande pássaro, respeita guerreiro chefe, tem admiração. E eu sei que precisava chegar primeiro mas não quero que grande chefe bravo com Pássaro porque preferiu ficar para ajudar aqueles que estavam caindo e machucando até pequenos que estavam tentando a mesma coisa, e preferi ficar para fazer ajuda.

Mas por que guerreiro? Porque eu sei quem eu sou. Esta foi a resposta do grande guerreiro ao grande chefe da tribo: eu sei quem eu sou e sei até onde posso ir. Não precisava mostrar aos outros e nem para mim o que eu sou. Preferi ficar para ajudar principalmente aos guerreiros mais velhos.

Neste momento, o grande chefe tem visão e escuta do Grande Espírito: Agora, sim, guerreiro, o guerreiro já sabia, mas só teve confirmação. Este é o guerreiro para ficar em seu lugar. E assim foi feito, o novo grande guerreiro ficou chefe da aldeia.

Cacique deixa esta história para vocês, guerreiros, para terem dentro da mente de vocês, do espírito de vocês, da alma de vocês que, quando um guerreiro determinado, sabe quem é, sabe onde pode chegar, sabe o que pode ser feito com a sua energia, não só pensando em interesse próprio mas quando se olha como o guerreiro fez a toda à aldeia, como um todo – esta é a forma de fazer a sua conquista daquilo que o Grande Espírito deixa a vocês, guerreiros, como lição, como força, como mensagem.

Quando o guerreiro sabe quem é, quando é completo, ele não se apega a certas coisas, daqueles que estão, como o guerreiro Peão disse na semana passada, naquele túnel, onde se é conduzido. Saibam conduzir a si mesmo e ao seu caminho, mas acima de tudo olhem para dentro de si e saibam de sua energia, de sua força e daquilo que podem transformar esta energia para fazer ajuda, não só ao próximo mas, como cacique sempre fala, primeiro a si mesmo.

Muitos vem até aqui ou até mesmo conversam com o Grande Espírito: sim, é bom conversar direto com o Grande Espírito. Cacique sabe que não é bom caminho. Como não é bom falar com o Grande Espírito? Sim, é bom falar com o Grande Espírito, quando o guerreiro está preparado, está equilibrado, quando está em sintonia com si mesmo, não se afastou do seu coração ou se aproximou novamente de si mesmo, de seu coração, aí sim busca o Grande Espírito. E se perguntarem o porquê não: porque se, naquele momento de desequilíbrio, buscarem o Grande Espírito, o Grande Espírito vai responder aos guerreiros ou, para aqueles que não conseguem escutar, vai mostrar em seu dia a dia, o e o guerreiro não vai escutar, ou ter visão longa da águia, para saber aquilo que o Grande Espírito está mandando para você, guerreiro, para você, guerreira.

Por isso Cacique fala: faça o caminho inverso. Não busquem o Grande Espírito. É estranho escutar mas, primeiro, busquem a si mesmos, se equilibrem. Grande Espírito mostra todos os dias, todas as luas, e dá mensagem a vocês, mostra lição, mostra mensagem, mostra comportamento, mostra atitude, mostra excesso, mostra os guerreiros acomodados. Isto é lição, é mensagem.

Se equilibrem para depois, sim, subir a montanha sagrada. Faça oração e vai escutar e ver o Grande Espírito materializado à sua frente. Quando descerem a montanha, na língua de vocês, não falarão “acho que vi Grande Espirito”, “acho que era Grande Espírito”. Diferente: “Sim, tive visão do Grande Espírito. Fiz um encontro com Grande Espírito. Eu vi o Grande Espírito.”

Tem ritual para os guerreiros entenderem e, para encerrar o trabalho, é um ritual de passagem, na língua de vocês, como resume o guerreiro Lobato: quando guerreiro pequeno passa para grande guerreiro de guerra, é um dos ensinamentos – em algumas aldeias: o guerreiro sobe com seu pai a montanha sagrada, a mais alta, e o guerreiro pequeno já sabe que vai ficar sozinho, e passar a noite sozinho na montanha sagrada, porque o pai só vai deixar guerreiro colocar venda em seus olhos e o guerreiro pequeno vai ficar sozinho na montanha sagrada, onde leva horas para chegar.

O pequeno fica, sem enxergar, não importa se é no calor ou no frio, escutando barulho de animal, não sabendo o que está acontecendo, mas fica. Só que, quando amanhece, grande luz sagrada, o pequeno já pode tirar a venda do olho. Quando tira, todo momento que passou na montanha sagrada, onde passou medo, frio, não teve coragem, mas aguentou, com medo, sabendo que estava sozinho, com bicho passando, mas naquele momento em que tira a venda, como guerreiro Lobato fala, e consegue enxergar e levanta, quando olha para trás, vê o seu pai sentado, esteve lá a todo o momento. Guerreiro pai não saiu de lá, não fez a volta e nem desceu, e nem deixou o filho. A todo o momento ficou com o pequeno, mas sem fazer barulho para pequeno achar que estava sozinho.

A lição é que o pequeno, naquele momento, deixou todos os seus medos, seus fantasmas, tudo aquilo que atrapalha a mente, deixou GE levar, na lua da noite sagrada. No momento em que tirou a coisa e enxergou, renasceu, é novo caminho, é um novo guerreiro que vai se preparar para se tornar um guerreiro de guerra, um guerreiro xamã, toda a preparação de uma aldeia com o pequeno, porque tudo que era feito, era feito para aqueles que estavam vindo. Esta é a lição. E assim começa um novo caminho.

Que o Grande Espírito abençoe a vocês aqui, nesta Casa de Luz, e que os guerreiros tenham boas luas pela frente, reflitam sobre o seu caminho e, como foi deixado aqui, tirem o peso, caminhem leves e tranquilos, porque, sim, são abençoados pelo Grande Espírito e, naquele momento, na língua de vocês, que “acham” que estão sozinhos, Grande Espírito está do seu lado.

Cacique agradece a todos os médiuns pela dedicação ao trabalho e pela energia. Que o Grande espírito abençoe a todos.

NUVEM VERMELHA

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