Arquivo de ensinamentos indígenas; governantes; guerreiros índios

Seu pensamento encontra o nosso, ao nascer do sol, e com o nosso se mistura, ao sol se por.

Posted in Ensinamentos, Festas e celebrações with tags on abril 23, 2010 by Helen Ians

Há muitas luas atrás, desembarcaram nesta terra, alguns irmãos. Caminharam floresta adentro e se depararam com guerreiros aqui da terra, índios, deste país. Guerreiros que já estavam em união espiritual com a sua alma, porque não existe a diferença: é uma coisa só, na língua de vocês, o material e o espiritual, a mente.

Como diz o guerreiro Alce Negro, uma só unidade, e da mesma forma, estes irmãos, aqui neste país, guerreiros índios, que habitavam esta terra sagrada, lutavam na sua busca de alimentos, lutavam pela sua busca da paz.

Estes irmãos foram chegando, e numa das falas feitas – numa das traduções, como os guerreiros falam -  o guerreiro chefe da tribo pergunta: o que vocês procuram? E não tiveram a resposta. A única resposta que tiveram, foi que fizeram destes irmãos, escravos, em trabalho agrícola, como diz o guerreiro Lobato. Aqueles que resistiram foram dizimados, mortos. Aqueles que faziam seus rituais sagrados, o seu encontro com o Grande Espírito, com seu Deus, foram, da mesma forma, dizimados.

Naquela época, já era falado da floresta, da água, da preservação, do alimento. E assim estes guerreiros caminhavam, lutando alguns, outros tristes, e não conseguiam entender o porquê daquilo tudo.

Como diz o guerreiro Lobato, em 1940 foi feito o primeiro, como diz o guerreiro, primeiro congresso, de união dos povos indígenas. Foi feito no México no dia 19 de abril, o primeiro congresso de encontro. Este encontro foi feito para que os irmãos levassem a cultura, a dança, a magia, e o principal – onde muitos, pela curiosidade, alguns pelo amor, e outro sem entender e conhecer – a cura dos pajés, a cura dos xamãs. Onde esta cura era transformada naquela água, um grande remédio. Nas suas orações, a cura. Muitos não entendiam. E aqueles que não entendiam, chamavam de feitiçaria, na língua de vocês.

Depois deste primeiro congresso, muitos abriram suas mentes e deram importância à cultura, onde a cultura da verdade é a preservação do ambiente, onde a cultura da verdade é a preservação da mata, da água. Onde há muitas luas atrás um guerreiro disse: é uma pena, mas eles só vão se dar conta quando acabar tudo. E eles perceberem que não podem comer o dinheiro. Na mesma forma que ainda hoje, tanto nesta terra sagrada, neste país, como em outros, ainda assim a cultura, as histórias, a cura pelo xamanismo, a cura pelos pajés ainda aqui, em várias tribos aqui deste país, continua. Com muita luta, porque muitos não se dão conta que Deus, que o Grande Espírito, o Grande Manitu, Wakan Tanka, é um só, onde todos merecem a atenção, onde todos pela união fariam o caminho da paz.

E o que toda a tribo vê, nestas luas que já passaram, muitas de lá para cá, é a corrida, para aquilo que apenas interessa.

Como alguns aqui já sabem, o nosso trabalho também se estende em alguns lugares, na língua de vocês, como diz o guerreiro, no país da África, onde guerreiros pequenos passam fome, morrem de fome, a cada minuto e o que se vê são os chefes, que se consideram chefes – como diz o guerreiro Lobato, os governantes – fazerem pouco caso.

Cacique pergunta: como que uma terra rica, rica em alimentos, rica em vontade, rica espiritualmente, com o que pode existir, tem guerreiros que não caminham para fazer a sua ajuda, porque o interesse é outro, o propósito é outro, não existe a força da vontade. É mais fácil não querer ver, e fugir, do que realmente levantar a bandeira e começar a sua própria guerra.

Países que se consideram ricos… Aí Cacique pergunta: aonde? Onde está a riqueza se a última que tinham já está acabando? Mas, por outro lado, Cacique fala a vocês, guerreiros, que existe a luta de alguns, a força de vontade, a força de guerra, a força pela energia, a força pelo espiritual, onde muitos ajudam, fazem a sua parte, fazem a diferença. Mas se não existir esta união da mente, realmente esta união espiritual, nada caminha aos olhos do Grande Espírito.

Com tanta força, com tanta riqueza, que riqueza é esta? Que luta é esta? Que força é esta? São chefes… É preciso o entendimento, a coragem, a luta, a força, para que entendam que o planeta é um só, a grande bola redonda, onde seria mais fácil a ajuda de todos, a união de todos, respeitando a diferença, respeitando a cultura e, a partir daí, se unirem.

Cacique fala que hoje já é feito no lado espiritual um grande trabalho forte, trabalho de guerra, nestes lugares mais necessitados onde por muitas vezes quantos guerreiros se materializam para que aqueles pequenos possam ver e encontrar força e coragem para continuar com vida.

Existe uma corrente, existem muitos guerreiros no plano espiritual, que ajudam, e que querem cada vez mais mostrar a estes chefes, que se consideram chefes, que sem união, sem respeito, sem entendimento, e na língua de vocês, como diz o guerreiro Lobato, sem o arregaçar as mangas, não existe saída. E o fim de muitos este guerreiros é que na sua memória, acabam levando, quando deixam o cargo, aquilo que poderiam ter feito para fazer a diferença.

O Grande Espírito dá aos guerreiros, a força, a coragem, a determinação, mas é preciso que dêem o primeiro passo. Dêem o primeiro passo para sua cura, para sua ajuda, para o seu entendimento, para o seu encontro da paz.

O que se vê neste país são índios de diversas tribos, da mesma forma sozinhos, abandonados pelo governo. Fazem pouco caso destes grandes guerreiros que, sim, fazem a diferença na terra, porque lutam pela sua cultura, lutam pela sua tribo, protegem, fazem da sua guerra, a guerra.

Estes, sim, são verdadeiros guerreiros, chefes de guerra, chefes das suas tribos, que tem o nosso respeito. E a vocês, guerreiros, que caminham, junto com toda esta corrente, com a nossa corrente, guerreiros brancos com alma vermelha, também nossos respeitos. Nossa admiração aos guerreiros, que da mesma forma dão o primeiro passo, que fazem a diferença no caminho, no seu caminho, no caminho do seu próximo, mas que acima de tudo respeitam a diferença, respeitam o seu próximo, porque sabem e tem a consciência que cada guerreiro tem o seu momento aqui na terra, de aprendizado.

Mas é importante que, sim, dêem o primeiro passo, numa luta única aqui na terra, de uma união entre os povos, cada guerreiro respeitando as suas obras, a sua cultura, o seu caminho, onde este caminho, a cada passo, se torna um só, onde seu Deus, da mesma forma, se torna um só, porque é um só.

Ficam estas palavras em respeito e homenagem a todos os guerreiros que ainda lutam, tanto no plano material como no plano espiritual, porque há muitas luas atrás um grande guerreiro disse: que levem tudo, mas uma coisa não vão conseguir tirar do guerreiro vermelho – é a paz da alma, é a luta constante em querer mudar, o respeito pela sua pele, pela sua cor, e o respeito, pela maior riqueza que o Grande espírito deixou na Terra: o pensamento de vocês, guerreiros, encontra com o nosso quando o sol nasce e se mistura quando o sol se põe aqui na Terra.

A todos os guerreiros, a todas as tribos que estão aqui presentes, nesta data de comemoração, que o Grande Espírito abençoe a todos vocês, guerreiros de luta, guerreiros de guerra, a todos os xamãs e a todos que caminham juntos, neste Caminho Sagrado do Grande Espírito.

Que os irmãos tenham boas luas pela frente, que os guerreiros se tornem chefes de si mesmos, chefes da sua tribo, que os irmãos não se deixem abater pelo que escutam daqueles que se consideram chefes do seu próprio governo, mas que lutem pela sua tribo, pela sua família, pelos seus pequenos que estão vindo. Deixem a eles, assim como o povo indígena sempre deixou a estes pequenos, a sua cultura e a sua sabedoria. Mostrem a estes irmãos que o Grande Espírito caminha com cada um de vocês, irmãos.

E naqueles momentos difíceis, naqueles momentos de obstáculos, ensinaram aos pequenos que quando se caminha ao Grande Espírito, o Grande Espírito escuta. Quando entra em uma grande floresta, pedindo licença, com respeito, a grande floresta acolhe. Aquela água é transformada em um grande remédio. É este o ensinamento.

Nuvem Vermelha

Obs. As imagens acima são do site http://www.powwow.com, e serão usadas, com o devido respeito, em abril, quando se comemora o Dia do Índio. Pow-wow é uma celebração intertribal dos índios norte-americanos. Abaixo a música Sioux Pride (Orgulho Sioux) com imagens de chefes indígenas.


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